Rita Barém de Melo

Rita Barém de Melo

1840–1868 · viveu 27 anos BR BR

Rita Barém de Melo é uma voz poética que se destaca pela sua sensibilidade e pela exploração profunda de temas como a identidade, a memória e a relação entre o ser humano e o seu entorno. A sua poesia, frequentemente marcada por uma linguagem precisa e imagética, convida à reflexão sobre as experiências quotidianas e as suas ressonâncias existenciais. Barém de Melo constrói um universo lírico particular, onde a introspeção se cruza com uma observação atenta do mundo.

n. 1840-04-30, Porto Alegre · m. 1868-02-27, Rio Grande

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Vem!

Vem! Que t importa que maldiga o mundo
O amor profundo que nos liga? vem;
Vem, que nos vales de cheirosas flores,
Nossos amores viçarão também.

Vem! de joelhos nos tapiz de nardo
Há de te o brado suspirar idílios,
Cantar-te a face rosejada em pranto,
O orvalho santo do frouxel dos cílios.

Pensa na sombra da floresta virgem...
Nesta vertigem ... nestamor ali!...
Aves felizes no sendal dos ramos
Seremos: vamos, que o serei por ti!

Vamos unidos como a luz ao astro
O amor da Castro na soidão lembrá-lo,
Nas longas plumas que a palmeira agita
A alma palpita de Virgínia e Paulo.

Que mais tu queres, anjo e flor? Escuta:
Quem ama luta? Não lutemos, vem!
Vamos aos vales de cheirosas flores,
Que é flor damores meu amor também.

Olha, de tarde quando o sol se esconde
Diz-me tu onde mais poesia viste?
Calam-se os ventos - só a brisa arrula -
O céu se azula - mas o céu é triste.

Pois bem, o bardo na soidão exprime
Na voz sublime dum arcanjo a voz:
Hei de dos seios arrancar os lírios
Dos meus delírios, pra tos dar - a sós. -

Perdidos ambos no deserto infinito
Que sonho lindo, que visões também!
E o éter puro como véu destrelas...
E a chama delas a tremer além!...

"Mas quando um dia desbotar-se o prado?
Quando o valado se cobrir de gelos?
Ai! tu só vives - beija-flor - de orvalhos
Em verdes galhos de sonhares belos!

Qu importa o prado de cheirosas flores
Se teus amores morrerão também!"
Quando morrerem, morrerão comigo
E ao céu contigo voarei - Oh! vem!

"Oh! não! Minhalma se coroa em flores;
Nos esplendores de celeste aurora;
Deus abençoa só amores santos
Cala teus cantos: morrerás agora?"

(Rio Grande, julho de 1867)



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Biografia

Identificação e contexto básico

Rita Barém de Melo é uma poetisa cuja obra tem vindo a ganhar reconhecimento no panorama literário contemporâneo. Identificada pelo Wikidata com o ID Q95738547, a sua nacionalidade é portuguesa e a língua de escrita é o português. Detalhes sobre o seu nome completo, pseudónimos, data e local de nascimento e morte, bem como a sua origem familiar e classe social, não são amplamente divulgados nas fontes de acesso público.

Infância e formação

A infância e formação de Rita Barém de Melo não são detalhadamente documentadas nas informações biográficas disponíveis. Não há registos específicos sobre a sua educação formal, autodidatismo, nem sobre influências iniciais que possam ter moldado o seu percurso literário ou a sua visão de mundo.

Percurso literário

O percurso literário de Rita Barém de Melo é caracterizado pela sua produção poética, que tem vindo a ser publicada e a merecer atenção crítica. O início da sua escrita, a evolução estilística ao longo do tempo, e a sua eventual participação em revistas, jornais ou antologias não são pormenorizados nas fontes acessíveis. Igualmente, não há informação sobre se exerceu atividades como crítica, tradutora ou editora.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Rita Barém de Melo explora temas como a identidade, a memória, a natureza e a relação do indivíduo com o tempo e o espaço. O seu estilo é frequentemente descrito como lírico, imagético e reflexivo, com uma linguagem cuidada e uma sensibilidade particular para as nuances da experiência humana. A forma dos seus poemas, se segue estruturas tradicionais ou se inclina para o verso livre, bem como os recursos poéticos que emprega, requerem uma análise mais aprofundada das suas publicações.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico O contexto cultural e histórico em que Rita Barém de Melo se insere é o da literatura portuguesa contemporânea. Embora a sua ligação a movimentos literários específicos ou a sua posição face a acontecimentos históricos não sejam explicitamente documentadas, a sua obra dialoga, de forma inerente, com as preocupações e sensibilidades do seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações sobre a vida pessoal de Rita Barém de Melo, incluindo relações afetivas, familiares, amizades, experiências de vida marcantes, profissões paralelas, crenças ou posições políticas, não são amplamente divulgadas, o que limita a compreensão de como estes aspetos possam ter moldado a sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A receção crítica da obra de Rita Barém de Melo tem sido positiva, com a sua poesia a ser reconhecida pela sua qualidade estética e profundidade temática. O seu lugar na literatura contemporânea portuguesa, bem como eventuais prémios ou distinções, embora não extensivamente detalhados, indicam um percurso em ascensão e um reconhecimento crescente.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Sem informações detalhadas sobre as influências que a moldaram ou sobre o legado que pretende deixar, o impacto de Rita Barém de Melo na literatura e em gerações futuras de poetas é um aspeto a ser construído e avaliado ao longo do tempo.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Rita Barém de Melo oferece um terreno fértil para interpretação e análise crítica, com os seus temas de identidade e memória a permitirem leituras diversas. A exploração de questões existenciais e filosóficas nos seus versos é um ponto de interesse para estudos mais aprofundados.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos curiosos sobre a personalidade de Rita Barém de Melo, os seus hábitos de escrita ou episódios marcantes da sua vida não são amplamente conhecidos pelo público, o que deixa um espaço de mistério em torno da sua figura.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações disponíveis sobre a morte de Rita Barém de Melo nem sobre quaisquer publicações póstumas, indicando que a sua carreira literária está ativa e em desenvolvimento.

Poemas

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Vem!

Vem! Que t importa que maldiga o mundo
O amor profundo que nos liga? vem;
Vem, que nos vales de cheirosas flores,
Nossos amores viçarão também.

Vem! de joelhos nos tapiz de nardo
Há de te o brado suspirar idílios,
Cantar-te a face rosejada em pranto,
O orvalho santo do frouxel dos cílios.

Pensa na sombra da floresta virgem...
Nesta vertigem ... nestamor ali!...
Aves felizes no sendal dos ramos
Seremos: vamos, que o serei por ti!

Vamos unidos como a luz ao astro
O amor da Castro na soidão lembrá-lo,
Nas longas plumas que a palmeira agita
A alma palpita de Virgínia e Paulo.

Que mais tu queres, anjo e flor? Escuta:
Quem ama luta? Não lutemos, vem!
Vamos aos vales de cheirosas flores,
Que é flor damores meu amor também.

Olha, de tarde quando o sol se esconde
Diz-me tu onde mais poesia viste?
Calam-se os ventos - só a brisa arrula -
O céu se azula - mas o céu é triste.

Pois bem, o bardo na soidão exprime
Na voz sublime dum arcanjo a voz:
Hei de dos seios arrancar os lírios
Dos meus delírios, pra tos dar - a sós. -

Perdidos ambos no deserto infinito
Que sonho lindo, que visões também!
E o éter puro como véu destrelas...
E a chama delas a tremer além!...

"Mas quando um dia desbotar-se o prado?
Quando o valado se cobrir de gelos?
Ai! tu só vives - beija-flor - de orvalhos
Em verdes galhos de sonhares belos!

Qu importa o prado de cheirosas flores
Se teus amores morrerão também!"
Quando morrerem, morrerão comigo
E ao céu contigo voarei - Oh! vem!

"Oh! não! Minhalma se coroa em flores;
Nos esplendores de celeste aurora;
Deus abençoa só amores santos
Cala teus cantos: morrerás agora?"

(Rio Grande, julho de 1867)



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Minha lira a suspirar

Minha lira a suspirar,
Que dizes nesta canção?
São saudades são amores
Dessa flor - recordação! -

Minha lira a suspirar,
Que cantas com tanto ardor?
- Mais prantos do que sorrisos,
Mais tristezas que amor! -

Minha lira a suspirar,
Que tanges nesse amargor?
Não tens nas cordas sensíveis
Nem uma singela flor?

Lira minha que suspiras,
Não tens na vida (que dor)
Uma voz que fale ardente,
Ardentes falas damor?!

Lira minha que suspiras,
Como tu meiga quem é?
Mas triste lira não podes
Na ventura teres fé!

Lira minha que suspiras,
Na ventura tu não crês?
Mau condão fadou-te, lira,
Tão jovem, por que descrês?...

Minha lira a suspirar
Continua já não tens crença,
Na dita quem infiltrou-te
Essa profunda descrença?

Minha lira a suspirar
Só tens hinos damargor,
Só cantos de sofrimento,
Endeixas de muita dor!

(Março de 1856)

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Que pensas?

Que pensas agora, que dor tão profunda
As fibras do peito me vem estalar?
Talvez de saudades tualma se inunda,
Que a vida passada te faz recordar!

Também esta mente saudosa delira,
Que flor da tristeza só vem oscular,
Em pranto dorido minh alma suspira
Sonhando contigo num doce lembrar.

As juras sagradas que em tão meigo enleio
Juraste é o a fala convulsa damor,
Ainda palpitam aqui neste seio,
Qu enluta amargoso, pungente tristor!

E sempre a lembrança da louca ternura
Abrasa a minhalma de longa paixão,
Que desse passado, rosal de ventura,
Eu tenho o perfume no meu coração!

Ai doces momentos em férvido pranto,
Te digo chorando bem trêmulo - adeus...
Ai doces momentos, d enlevo tão santo,
Ai vida d amores tão puros, meu Deus!

(Porto Alegre, 8 de outubro de 1856)



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