Lista de Poemas

Uma tarde

.......Uma tarde
............é suficiente para ficar louco
ou ir ao Museu ver Bosch
............uma tarde de inverno
...........................sobre um grave pátio
.....onde garòfani.... milk-shake & Claude
....................obcecado com anjos
..........ou vastos motores que giram com
.............................uma graça seráfica
.............tocar o banjo da Lembrança
sem o Amor encontrado... provado...sonhado
............& longos viveiros municipais
........sem procurar compreender
..............imaginar
............a medula sem olhos
......ou pássaros virgens
............aconteceu que eu revi
......a simples torre mortal do Sonho
................não com dedos reais & cilíndricos
Du Barry Byron Marquesa de Santos
...Swift Jarry com barulho
.......de sinos nas minhas noites de bárbaro
...os carros de fogo
............os trapézios de mercúrio
...suas mãos escrevendo & pescando
................ninfas escatológicas
pequenos canhoes do sangue& os grandes olhos abertos
.........para algum milagre da Sorte
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Manifesto da Poesia Xamânica e Bio-Alquímica

para meu antepassado
nº serpente
1. O mundo são os Lugares de Poder
2. Sacralização xamânica do cotidiano
3. Perspectivas bio-regionais
4. Selvagem & Sagrado
5. Gaviões são divindades solares portadoras de poder
6. Hórus-Falcão rei das duas terras
7. Ecologia da Linguagem
8. Estados alterados da consciência
9. O Gavião fala por nossa boca
10. Xamã: sacerdote-poeta inspirado que em transe extático percorre o inframundo, florestas, mares, montanhas & sobe aos céus em "viagens". Dante foi um xamã-cabalista que conheceu em sua viagem pelos 3 mundos os orixás travessos da Sombra.
11. O olho divino do gavião se transforma em plantas florescentes
12. ÍSIS, Virgem Negra, mãe do Hórus
13. O Gavião plana acima das metrópolis-necrópolis
14. Divindade dos limites do Horizonte
15. "A orgia faz circular a energia vital & Sagrada"
M. Eliade
16. "A marginalidade é formada por aqueles que estão "out" — aqueles que não tem acesso ao poder estabelecido involuntariamente por miséria, ou voluntariamente por escolha estética-religiosa"
Timothy Leary
17. Deixe a Visão chegar
18. É a hora da despedida dos deuses do deserto & chegada dos deuses da vegetação
19. Conspiração sagrada dos terráqueos anônimos & guerreiros do Zuwya
20. Estado de conhecimento sensorial
21. "Dirige as flechas da voz dos jovens para celebrar o gozo desta terra"
Píndaro
22. Ilha subterrânea do gavião. Livro Egípcio dos Mortos. Bardo Todol. Orixás & vida quântica. O caminho do xamã é o caminho do Coração.
XAMÃS PELA NOVA CONSCIÊNCIA

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Manifesto Utópico-Ecológico em Defesa da Poesia e do Delírio

Invocação
Ao Grande deus Dagon de olhos de fogo, ao deus da vegetação Dionisos, ao deus Puer que hipnotiza o Universo com seu ânus de diamante, ao deus Escorpião atravessando a cabeça do Anjo, ao deus Luper que desafiou as galáxias roedoras, a Baal deus da pedra negra, a Xangô deus-caralho fecundador da Tempestade.
Eu defendo o direito de todo ser Humano ao Pão & à Poesia
Estamos sendo destruídos em nosso núcleo biológico,
nosso espaço vital & dos animais está reduzido a
proporções ínfimas
quero dizer que o torniquete da civilização está
provocando dor no corpo & baba histérica
o delírio foi afastado da Teoria do Conhecimento
& nossas escolas estão atrasadas pelo menos cem anos
em relação às últimas descobertas científicas no
campo da física, biologia, astronomia, linguagem,
pesquisa espacial, religião, ecologia,
poesia-cósmica, etc.,
provocando abandono das escolas no vício de linguagem &
perda de tempo
em currículos de adestramento, onde nunca ninguém vai
estudar Einstein, Gerard de Nerval, Nietzsche,
Gilberto Freyre, J. Rostand, Fourier, W.
Heinsenberg, Paul Goodman, Virgílio, Murilo
Mendes, Max Born, Sousandrade, Hynek, G. Benn,
Barthes, Robert Sheckley, Rimbaud, Raymond
Roussel, Leopardi, Trakl, Rajneesh, Catulo, Crevel,
São Francisco, Vico, Darwin, Blake, Blavatsky,
Krucënych, Joyce, Reverdy, Villon, Novalis,
Marinetti, Heidegger & Jacob Boehme
& por essa razão a escola se coagulou em Galinheiro
onde se choca a histeria, o torcicolo & repressão
sexual,
não existindo mais saída a não ser fechá-la &
transformá-la em Cinema onde crianças &
adolescentes sigam de novo as pegadas da
Fantasia com muita bolinação no escuro.
Os partidos políticos brasileiros não têm nenhuma
preocupação em trazer a UTOPIA para o quotidiano.
Por isso em nome da saúde mental das novas gerações
eu reivindico o seguinte:
1 - Transformar a Praça da Sé em horta coletiva & pública.
2 - Distribuir obras dos poetas brasileiros entre os
garotos (as) da Febem, únicos capazes de
transformar a violência & angústia de suas almas
em música das esferas.
3 - Saunas para o povo.
4 - Construção urgente de mictórios públicos ( existem
pouquíssimos, o que prova que nossos políticos
nunca andam a Pé ) & espelhos.
5 - Fazer da Onça (pintada, preta & suçuarana) o
Totem da nacionalidade. Organizar grupos de
Proteção à Onça em seu habitat natural. Devolver
as onças que vivem trançadas em zoológicos às
florestas. Abertura de inscrições para voluntários
que queiram se comunicar telepaticamente com
as onças para sabermos de suas reais dificuldades.
Desta maneira as onças poderiam passar uma
temporada de 2 semanas entre os homens &
nesse período poderiam servir de guias &
professores na orientação das crianças cegas.
6 - Criação de uma política eficiente & com grande
informação ao público em relação aos
Discos-Voadores. Formação de grupos de contato
& troca de informação. Facilitar relações eróticas
entre terrestres & tripulantes dos OVNIS.
7 - Nova orientação dos neurônios através da
Gastronomia Combinada & da Respiração.
8 - Distribuição de manuais entre sexólogas (os)
explicando por que o coito anal derruba o Kapital
9 - Banquetes oferecidos à população pela Federação das Indústrias.
10 - Provocar o surgimento da Bossa-Nova Metafísica
& do Pornosamba.
O Estado mantém as pessoas ocupadas o tempo integral
para que elas NÃO pensem eroticamente,
libertariamente. Novalis, o poeta do romantismo
alemão que contemplou a Flor Azul, afirmou: "Quem
é muito velho para delirar evite reuniões juvenis. Agora
é tempo de saturnais literárias. Quanto mais variada a
vida tanto melhor ".

2 021

Ritual dos 4 Ventos e dos 4 Gaviões

para Marco Antônio de Ossain

"Eu trago comigo os guardiões
dos Circuitos celestes."
— Livro dos Mortos do Antigo Egito —

Ali onde o gavião do Norte resplandesce
sua sombra
Ali onde a aventura conserva os cascos
do vudú da aurora
Ali onde o arco-íris da linguagem está
carregado de vinho subterrâneo
Ali onde os orixás dançam na velocidade
dos puros vegetais
Revoada das pedras do rio
Olhos no circuito da Ursa Maior
na investida louca
Olhos de metabolismo floral
Almofadas de floresta
Focinho silencioso da sussuarana com
passos de sabotagem
Carne rica de Exú nas couraças da noite
Gavião-preto do oeste na tempestade sagrada
Incendiando seu crânio no frenesi das açucenas
Bate o tambor
no ritmo dos sonhos espantosos
no ritmo dos naufrágios
no ritmo dos adolescentes
à porta dos hospícios
no ritmo do rebanho de atabaques
Bate o tambor
no ritmo das oferendas sepulcrais
no ritmo da levitação alquímica
no ritmo da paranóia de Júpiter
Caciques orgiásticos do tambor
Com meu Skate-gavião
Tambor na virada do século ganimedes
Iemanjá com seus cabelos de espuma.

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Identificação e contexto básico

Roberto Piva, nome completo Roberto de Andrade Piva, foi um poeta, tradutor e professor brasileiro. Nascido em São Paulo, destacou-se como um dos principais expoentes da Poesia Marginal ou Poesia Libertária, movimento que floresceu no Brasil nas décadas de 1970 e 1980. Sua obra é intrinsecamente ligada ao contexto urbano e à contracultura da época, explorando a linguagem de forma experimental e transgressora. A nacionalidade brasileira e a língua portuguesa são centrais em sua produção. O período em que viveu foi marcado por profundas transformações sociais e políticas no Brasil, incluindo a ditadura militar, o que influenciou diretamente a natureza contestadora de sua poesia.

Infância e formação

Nascido em uma família de classe média em São Paulo, Piva teve uma infância que, embora não amplamente detalhada em termos de eventos marcantes, o inseriu no ambiente cultural da maior metrópole brasileira. Sua formação universitária se deu na área de Letras, onde adquiriu as bases teóricas e literárias que viriam a moldar sua visão de mundo e sua prática poética. As leituras de autores da vanguarda, tanto brasileira quanto internacional, assim como a influência do pensamento existencialista e das correntes filosóficas que questionavam os valores estabelecidos, foram fundamentais em seu desenvolvimento intelectual e artístico. O efervescente cenário cultural e artístico de São Paulo, com seus debates e experimentações, também representou um caldo de influências.

Percurso literário

O percurso literário de Roberto Piva ganhou destaque com a publicação de seus primeiros livros, marcados por uma forte identidade com a Poesia Marginal. Seus poemas começaram a circular em mimeógrafos e em saraus, características do movimento que buscava a democratização da produção e circulação literária, em oposição ao mercado editorial tradicional. Piva manteve uma produção consistente ao longo das décadas, sempre fiel a um estilo provocador e inovador. Colaborou em diversos veículos alternativos e antologias que reuniam a nova geração de poetas. Sua atuação como tradutor também foi relevante, ampliando o acesso a obras estrangeiras e estabelecendo pontes com outras tradições literárias.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Roberto Piva, como em "Pequenas Epifanias" (1960), "O livro de Piva" (1974) e "Identidade (ou o corpo de carne e asfalto)" (1975), é caracterizada por uma linguagem crua, urbana e visceral. Os temas centrais incluem a cidade de São Paulo, a experiência do corpo, o desejo sexual, a crítica à sociedade de consumo e a alienação do indivíduo moderno. Piva utilizava o verso livre de forma magistral, explorando ritmos e sonoridades que remetiam ao caos e à velocidade da vida urbana. Sua voz poética é muitas vezes confessional e irónica, carregada de uma energia performática que se manifestava em suas leituras públicas. O vocabulário é rico em coloquialismos e neologismos, refletindo a oralidade e a experimentação linguística. Piva dialogou com a tradição, mas sobretudo com a modernidade e a vanguarda, sendo associado ao movimento da Poesia Marginal e a uma estética que se distanciava das formas poéticas convencionais, buscando uma expressão mais direta e autêntica.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Roberto Piva produziu sua obra em um período de grande efervescência cultural e política no Brasil, marcado pela ditadura militar. A Poesia Marginal, movimento ao qual se associou, surgiu como uma forma de resistência e expressão em meio à censura e à repressão, valorizando a autonomia do artista e a circulação independente de suas obras. Piva conviveu e dialogou com outros poetas e artistas de sua geração, como Torquato Neto, Ana Cristina Cesar e Cacaso, formando um círculo de intensa troca criativa. Sua poesia reflete os dilemas existenciais e sociais do Brasil da época, criticando a ordem vigente e propondo novas formas de ver e viver o mundo. A busca por liberdade de expressão e a experimentação artística eram características marcantes de seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Roberto Piva esteve intimamente ligada à sua produção poética. Sua experiência como morador da cidade de São Paulo, com sua dinâmica urbana intensa, foi uma fonte constante de inspiração. As relações afetivas e os desejos foram temas frequentes em sua obra, muitas vezes explorados de forma aberta e sem pudores. Piva também atuou como professor universitário, o que demonstra uma faceta de sua vida dedicada ao ensino e à disseminação do conhecimento literário. Suas crenças filosóficas e sua visão de mundo, que questionavam as normas sociais e morais estabelecidas, foram pilares de sua postura artística e pessoal, pautada pela busca por autenticidade e liberdade.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Roberto Piva obteve um reconhecimento significativo dentro do circuito da poesia marginal e alternativa, sendo considerado um dos nomes mais importantes dessa vertente. Sua obra, embora nem sempre contemplada pelos grandes prêmios literários ou pelo mercado editorial hegemônico em vida, conquistou um público fiel e admiradores entre críticos e outros artistas. A recepção crítica, especialmente após a redemocratização do país, tem se aprofundado, revelando a relevância e a originalidade de sua poética para a literatura brasileira contemporânea. Sua popularidade cresceu com a redescoberta da Poesia Marginal por novas gerações.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Roberto Piva foi influenciado por poetas da vanguarda modernista brasileira e internacional, bem como por filósofos e artistas que questionaram as convenções de suas épocas. Seu legado reside na coragem de experimentar com a linguagem, na forma autêntica e irreverente com que retratou a vida urbana e os dilemas existenciais, e na sua contribuição para a consolidação de uma poesia mais livre e próxima da realidade social. Piva influenciou gerações posteriores de poetas, especialmente aqueles que se debruçam sobre a cidade, a experiência do corpo e a crítica social, e que buscam romper com os padrões estéticos tradicionais. Sua obra é um marco na poesia brasileira do século XX.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Roberto Piva tem sido objeto de diversas interpretações críticas, que destacam a sua dimensão existencial, social e política. A exploração do corpo como território de desejo e resistência, a representação da cidade como um espaço de alienação e ao mesmo tempo de vitalidade, e a crítica à sociedade de consumo são eixos recorrentes nas análises. Filosófica e existencialmente, Piva aborda a fragmentação do sujeito moderno, a busca por identidade em um mundo caótico e a necessidade de uma experiência mais intensa e autêntica da vida. A forma como ele lidou com a sexualidade e o corpo em sua poesia também gerou debates, celebrada por sua liberdade e ousadia por uns, e vista com ressalvas por outros, dependendo da perspectiva.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Roberto Piva era conhecido por sua personalidade intensa e, por vezes, provocadora, que se refletia em suas performances poéticas, muitas vezes vibrantes e carregadas de uma energia contagiante. A contradição entre a aparente crueza de sua poesia e a sensibilidade com que tratava temas universais é um aspeto intrigante. Seus hábitos de escrita não são amplamente documentados, mas a natureza visceral de seus poemas sugere um processo criativo de imersão na realidade urbana e em suas próprias experiências. A energia performática em suas leituras públicas é frequentemente citada como um elemento marcante, transformando a apresentação de seus versos em um espetáculo à parte.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Roberto Piva faleceu em São Paulo. Sua morte deixou uma lacuna na poesia brasileira, mas sua obra continua viva e sendo redescoberta por novas gerações. Publicações póstumas e estudos sobre sua vida e obra têm contribuído para a sua permanência na memória literária, reafirmando seu lugar como um poeta singular e fundamental na literatura brasileira contemporânea.