Sebastião da Rocha Pita

Sebastião da Rocha Pita

1660–1738 · viveu 78 anos BR BR

Sebastião da Rocha Pita foi um notável erudito, historiador, poeta e cronista da vida brasileira colonial. A sua obra principal, "História da América Portuguesa", é considerada um marco na historiografia brasileira, oferecendo um relato detalhado e apaixonado dos primeiros tempos da colonização. A sua escrita, embora inserida num contexto barroco, revela uma preocupação com a narrativa e uma admiração pela terra que o acolheu, posicionando-o como uma figura singular no panorama cultural do seu tempo.

n. 1660-05-03, Salvador · m. 1738-11-02, Cachoeira

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Soneto

Soneto

[Mudou o Sol o Berço refulgente,
[ou fez Berço do Túmulo arrogante
[galhardo onde se punha agonizante
[com luz no Ocaso, e sombras no Oriente.

[Não morre agora o Sol, quer diferente
[no Aspecto, se na vida semelhante
[no Oriente nascer menos flamante,
[e renascer mais belo no Ocidente.

[Fênix de raios a uma, e outra parte
[O comunica os incêndios, e fulgores,
[porém com diferença hoje os reparte.

[Nasce lá no Oriente só em ardores,
[no Ocidente a ilustrar Ciência, e Arte
[renasce em luzes, vive em resplendores.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Sebastião da Rocha Pita nasceu em 1690, na cidade do Porto, Portugal. Faleceu em Salvador, Bahia, em 1763. Foi um proeminente historiador, poeta, cronista e funcionário público colonial. A sua fama deve-se, sobretudo, à sua obra "História da América Portuguesa", publicada em Lisboa no ano de 1730, considerada um dos primeiros grandes trabalhos de história sobre o Brasil.

Infância e formação

Os pormenores sobre a sua infância são escassos. Sabe-se que, após concluir os seus estudos em Coimbra, onde se formou em Direito, veio para o Brasil em 1717, integrando a administração colonial. A sua formação jurídica e a sua erudição permitiram-lhe desempenhar vários cargos importantes na colónia.

Percurso literário

Rocha Pita dedicou-se tanto à poesia quanto à historiografia. Embora a sua obra poética seja menos conhecida, ele foi um membro ativo da Academia dos Renascidos, um centro de produção literária em Salvador. O seu grande feito literário e historiográfico foi a "História da América Portuguesa", um trabalho monumental que narra os eventos desde a chegada dos portugueses até ao início do século XVIII, com um estilo eloquente e um tom que exalta as potencialidades da nova terra.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A "História da América Portuguesa" é uma obra de grande fôlego, escrita num português de feitura barroca, mas com uma clareza narrativa notável para a época. Rocha Pita demonstra um profundo amor pela terra brasileira, descrevendo com detalhe a geografia, a fauna, a flora e os costumes dos habitantes. Ele procura dignificar a história da colónia, apresentando os colonizadores como heróis e o Brasil como uma terra de promissão. A sua poesia, embora secundária em relação à sua obra histórica, reflete também um tom lírico e patriótico em relação ao Brasil.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Rocha Pita viveu num período de transição em Portugal e no Brasil. O Brasil colonial estava a consolidar a sua economia, impulsionada pela exploração de recursos como o açúcar e, mais tarde, o ouro. A sua obra insere-se no contexto do Barroco tardio, com um estilo que combina a erudição com a retórica e a exaltação. A sua posição como funcionário público permitiu-lhe ter acesso a informações privilegiadas para a sua obra histórica.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Pouco se sabe sobre a sua vida pessoal para além dos seus cargos na administração colonial. Ele parece ter tido uma vida dedicada ao serviço da Coroa e à produção intelectual. A sua ligação a Salvador e à vida cultural da Bahia é um aspeto importante da sua biografia.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A obra "História da América Portuguesa" foi aclamada em Portugal e no Brasil desde a sua publicação. É considerada um dos pilares da historiografia brasileira e um testemunho valioso da visão colonial do século XVIII. Foi reconhecido como um intelectual de renome no seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado A sua obra foi fundamental para a construção da memória histórica do Brasil colonial. Influenciou outros cronistas e historiadores que se seguiram, servindo como fonte primária e como modelo de escrita histórica. O seu legado reside na sua contribuição para a valorização da história e da identidade brasileira, mesmo dentro de um quadro colonial.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Rocha Pita tem sido analisada sob diversas perspetivas. Críticos apontam o seu carácter apologético da colonização, mas também reconhecem a sua importância como registro detalhado de um período crucial da história brasileira. A sua linguagem, embora barroca, é um espécime valioso do português da época.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto curioso é a sua capacidade de transitar entre a poesia e a prosa histórica com a mesma mestria, demonstrando uma versatilidade intelectual rara. A sua dedicação à Academia dos Renascidos em Salvador também evidencia o seu papel na vida cultural da colónia.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Sebastião da Rocha Pita faleceu em Salvador, Bahia, em 1763, deixando um legado de grande valor para a história e a literatura do Brasil.

Poemas

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Soneto

Soneto

[Mudou o Sol o Berço refulgente,
[ou fez Berço do Túmulo arrogante
[galhardo onde se punha agonizante
[com luz no Ocaso, e sombras no Oriente.

[Não morre agora o Sol, quer diferente
[no Aspecto, se na vida semelhante
[no Oriente nascer menos flamante,
[e renascer mais belo no Ocidente.

[Fênix de raios a uma, e outra parte
[O comunica os incêndios, e fulgores,
[porém com diferença hoje os reparte.

[Nasce lá no Oriente só em ardores,
[no Ocidente a ilustrar Ciência, e Arte
[renasce em luzes, vive em resplendores.

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