Lista de Poemas

E Tudo Vem a Ser Nada

Tanta riqueza inserida
Por tanta gente orgulhosa,
Se julgando poderosa
No curto espaço da vida;
Oh! que idéia perdida.
Oh! que mente tão errada,
Dessa gente que enlevada
Nessa fingida grandeza
Junta montões de riqueza,
E tudo vem a ser nada.

Vemos um rico pomposo
Afetando gravidade,
Ali só reina bondade,
Nesse mortal orgulhoso,
Quer se fazer caprichoso,
Vive de venta inchada,
Sua cara empantufada,
Só apresenta denodos
Tem esses inchaços todos
E tudo vem a ser nada.

Trabalha o homem, peleja
Mesmo a ponto de morrer,
É somente para ter,
Que ele se esmoreja,
As vezes chove e troveja
E ele nessa enredada
À lama, ao sol, ao chuveiro,
Ajuntam muito dinheiro,
E tudo vem a ser nada.

Temos palácios pomposos
Dos grandes imperadores,
Ministros e senadores,
E mais vultos magestosos;
Temos papas virtuosos
De uma vida regrada,
Temos também a espada
De soberbos generais,
Comandantes, Marechais,
E tudo vem a ser nada.

Honra, grandezas, brazões;
Entusiasmos, bondades;
São completas vaidades
São perfeitas ilusões,
Argumentos, discursões;
Algazarra, palavrada,
Sinagoga, caçoada,
Murmúrios, tricas, censura,
Muito tem a criatura,
E tudo vem a ser nada.

Vai tudo numa carreira
Envelhece a mocidade,
A avareza e a vaidade
É quer queira ou não queira;
Tudo se torna em poeira,
Cá nesta vida cançada
É uma lei promulgada
Que vem pela mão Divina,
O dever assim destina
E tudo vem a ser nada.

Formosuras e ilusões,
Passa-tempos e prazeres;
Mandatos, altos poderes;
De distintos figurões,
Cantilenas de salões;
E festa engalanada,
Virgem-donzela enfeitada
No gozo de namorar,
Mancebos a flautear,
E tudo vem a ser nada.

Lascivas, depravações
Na imoral petulância,
São enlevos da infância,
São infames Corrupções;
São fingidas seduções
Que faz a dama enfeitada
Influi-se a rapaziada
Velhos também de permeio
E vivem nesse paleio,
E tudo vem a ser nada.

Bailes, teatros, festins,
Comadre, drama, assembléa,
Club, liceu, epopéa;
Todos aguardam seus fins,
Flores, relvas e jardins,
Festas com grande zuada,
Outeiro e Campinada
Frondam, compam e florescem,
Brilham, luzem, resplandecem
E tudo vem a ser nada.

O homem se julga honrado,
Repleto de garantia,
De brazões e fidalguia
É ele considerado,
Mas, quanto está enganado
Nesta ilusória pousada
Cá nesta breve morada.
Não vemos nada imortal
Temos um ponto final;
E tudo vem a ser nada.

Tudo quanto se divisa
Neste cruento torrão,
As árvores, a criação,
Tudo em fim se finaliza,
Até mesmo a própria brisa,
Soprando a terra escarpada,
Com força descompassada
Se transformando em tufão,
Deita pau rola no chão,
E tudo vem a ser nada.

Infindo só temos Deus,
Senhor de toda a grandeza,
Dos céus e da natureza,
De todos os mundos seus.
Do Brasil, dos Europeus,
Da terra toda englobada
Até mesmo da manada
Que vemos no arrebol:
Nuvem, lua, estrela e sol,
Tudo mais vem a ser nada.

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História de Crispim e Raimundo

O caso que vou contar
No sertão aconteceu;
É a história de um conflito
Que entre dois homens se deu;
Um foi preso e processado,
O outro na luta morreu.

O primeiro se chamava
Crispim da Cunha Dourado,
Tinha muitos bons costumes
Era homem ponderado;
Como bom pai de família
Era então considerado.

O segundo se chamava
Raimundo Dias Valente,
Era homem viciado,
Cachaceiro e imprudente;
Não respeitava ninguém,
Tinha fama de insolente.

Vindo Crispim do roçado
Encontrou casualmente
O Raimundo que andava
A procura de aguardente;
Já um pouco pre-amar
Intimando de valente.

Chegaram em uma venda,
Raimundo mandou botar
Dessa vez meia garrafa,
Mandou Crispim segurar
No copo e beber primeiro
Com a condição de virar.

Crispim lhe disse: - Raimundo,
Tal ataque não me faça;
Para eu virar este copo
Devo encarar a desgraça:
O homem alcoolizado
A qualquer perigo abraça.

Raimundo disse: - Crispim,
Pegou no copo virou!
Bebe por bem ou por mal
Visto que nele pegou,
Se não já lhe mostrarei
No punhal o quanto sou!

Crispim lhe disse: - Raimundo,
Eu não bebo aguardente;
Para virar este copo
Caio logo de repente;
Mas para satisfazê-lo
Bebo um golpinho somente.

Raimundo foi a Crispim
Pegou-o pela cintura;
Disse: ou você vira o copo
Ou eu dou-lhe a sepultura;
Ferida de meu punhal
Não tem remédio nem cura.

Vendo Crispim que morria
No punhal do tal Raimundo,
Com a foice que trazia
Lhe deu um golpe profundo
Que ele em poucos minutos
Já estava no outro mundo.

Vinha chegando um inspetor
Achou Raimundo no chão,
Prendeu logo ao Crispim
Sem lhe prestar atenção,
Dizendo: eu não admito
Crimes no meu quarteirão.

Seguiu o tal inspetor
Em busca do delegado,
Chegando na casa deste
Com Crispim preso e amarrado,
De chapéu na mão falou-lhe
Todo entusiasmado:

Ilustríssimo senhor,
Honradíssimo delegado,
Aqui está um criminoso
Que por mim foi capturado;
Matou um pai de família
Homem bem considerado.

Logo na cadeia pública
Foi Crispim encarcerado;
Depuseram as testemunhas,
Teve de ser processado,
Sem ser em nada atendido,
Foi logo pronunciado.

A pronúncia sustentando
O libelo oferecido,
Ficou fechado o processo
Sem Crispim ser atendido,
Só no Tribunal do Júri,
Podia ser decidido.

Havendo sessão do Júri,
Para Crispim ser julgado,
Pela forma do direito
Foi o Conselho formado;
O Juiz então perguntou-lhe
Se já tinha advogado.

Respondeu Crispim que tinha,
Visto lhe ser perguntado;
O Juiz disse p’ra ele:
- Diga lá o seu estado.
E se sabe por qual motivo
Vai agora ser julgado.

Tudo Crispim respondeu,
Com toda serenidade;
Falando com energia
Sem se arredar da Verdade;
Assim mostrando que tinha
Alguma dignidade.

Perguntou-lhe o Juiz se houve
Um motivo imperioso
Para ele matar Raimundo
Ficando assim criminoso,
Por ter cometido um crime
Tão medonho e horroroso?

- Que o matei, falo a verdade,
Não posso contradizer:
Fui agredido por ele
Sem poder me defender;
Em minha defesa própria,
Matei para não morrer!...

Nas declarações do réu,
O Juiz não achou excesso;
Ficou o Júri sabendo
Que ele era réu confesso;
O escrivão deu começo
A leitura do processo.

Depois da leitura finda
O tal processo seguiu
Para as mãos do Promotor;
Que sobre a mesa o abriu;
Tendo pedido a palavra,
A acusação proferiu:

- Senhores, tenho nas mãos
Um processo volumoso;
Vede o que diz o libelo
Contra este criminoso;
É um assassino confesso
Autor de um crime horroroso.

Senhores, o réu presente
Dominado de paixão,
Matou um pai de família,
Sem lhe assistir a razão:
No processo está provado
A sua mal intenção.

O réu matou a Raimundo
Por sua livre vontade,
Deixando a família dele
Na maior necessidade;
A mulher na viuvez
E os filhinhos na orfandade.

O réu assim procedendo
Mostrou ser muito malvado;
Do processo se colige
Que foi de caso pensado,
Que ele quis cometer
Um crime tão reprovado.

O Réu cometeu um crime
Em tudo repugnante,
Qualificado na Lei
Como delito agravante;
Em seu favor não existe
Nem um só atenuante.

A viúva com os filhos
Envoltos em negro véu
Estão sem ter um consolo
Com os olhos fitos no céu,
Pedindo justiça a Deus
E a condenação do Réu

Chorando todos lamentam
O ser amado perdido,
Os filhinhos por seu pai
A mulher por seu marido;
Estão pedindo justiça
Para o crime cometido.

Senhores, o Réu presente
É um monstro da natureza;
Matou o seu semelhante
Somente por malvadeza;
Quem mata sem ter razão,
Nem devia ter defesa.

Senhores, um crime tal,
Só o pratica um incréu,
Que não respeita a justiça
E nem deseja ir ao Céu;
Em nome da Lei eu peço
A condenação do Réu.

Como pede no libelo
No artigo destinado;
Cento e noventa e dois
Gráu máximo confirmado
Faça o conselho justiça
A este Réu acusado.

Terminada a acusação
Por parte do Promotor,
O processo foi entregue
Ao nobre defensor
Para fazer a defesa
Do Réu, com todo valor.

Então o advogado
Se levantou da cadeira,
Principiou a defesa
Por uma boa maneira;
Descrevendo claramente
A história verdadeira.

Meus senhores, eu lamento
Não ser bom advogado,
Para defender o Réu
E ter um bom resultado;
Fazendo ver as razões
Que tem o meu Querelado.

Com toda a minha franqueza,
Atenção a todos peço,
Para mostrar a verdade,
É em que mais interesso
Contra a ilegalidade
Que vejo neste processo.

O primeiro ponto é,
Sobre a causa do delito;
Não foi de caso pensado
Que se deu o tal conflito;
Foi um fato casual
No qual eu muito medito.

Contra meu constituinte
A justiça se tornou
Muito severa de mais;
Pela culpa que formou,
O que era mais necessário
Esquecido então ficou.

Vindo Crispim do roçado,
Sucedeu casualmente
Encontrar-se com Raimundo
Que vinha ligeiramente,
Nessa mesma ocasião
A procurar aguardente.

Como eram conhecidos,
Seguiram juntos então,
Crispim um mau pensamento
Não tinha no coração;
Raimundo, provavelmente,
Já vinha com má tenção.

Chegaram em uma venda,
Raimundo mandou botar
Dessa vez meia garrafa
E logo sem demorar
Deu a Crispim p’ra beber
Com a condição de virar.

Crispim lhe disse: - Raimundo,
Eu não costumo beber;
Para virar este copo
Saiba que não pode ser;
Apenas bebo um pouquinho
Para lhe satisfazer.

Raimundo lhe respondeu
De um modo desleal;
- Camarada o nosso encontro
Hoje tem que acabar mal:
Ou você bebe ou morre
Na ponta de meu punhal.

E tendo o punhal em punho
Pegou Crispim<
1 373

Necrológio de Francisco Romano

Na era 91
No centro paraibano,
Dentro do termo de Patos,
Em março do dito ano,
No primeiro desse mês
Morreu Francisco Romano.

Ele, antes de morrer,
Tinha em casa destinado
De ir buscar uma imagem
Com quem tinha se pegado,
Mas antes dessa viagem.
Primeiro foi ao roçado.

Pegou o chapéu, saiu
Com uma faca na mão
E uma foice no ombro,
Foi tapar um boqueirão,
Embora fosse domingo,
Mas havia precisão.

Justamente foi o tempo
De a hora lhe ser chegada...
Romano dentro da roça,
Morreu de morte apressada:
Apagou-se aquele esprito,
Seu corpo virou em nada.

Foi num dia de domingo
Esse caso acontecido...
Nesse dia, às quatro horas,
Foi Jesus Cristo servido:
Duma morte violenta
Romano foi falecido.

De bruço caiu em terra
Com a tal faca na mão,
A outra mão sobre o peito,
Em riba do coração,
A foice do outro lado,
Bem junto dele, no chão.

Nesse entre, um filho dele,
Tendo de ir ao roçado,
Pra dar água a uns animais,
Por seu mano ter mandado,
Chegou, foi vendo o cadave
No chão, morto, istoporado.

O menino, quando viu,
Ficou cheio de agonia
De ver seu querido pai
Se acabar naquele dia...
Foi levar a notiça à mãe,
Coitada, que não sabia!

Choroso voltou pra trás
Do caso que aconteceu,
Foi chegando e foi dizendo:
- "Ruim notiça trago eu!
Minha mãe, meus irmãozinho,
Meu querido pai morreu!"

Em casa o choro foi tanto
Que fez um grande alarido,
A mulher correu pra roça,
À procura do marido,
Não morreu de sentimento
Porque Deus não foi servido.

Atrás da pobre mulher
O povo todo seguiu...
Quando ela viu o cadave
Por cima dele caiu,
A prece que fez ao céu
Parece que Deus ouviu.

Voltaram tristes pra casa,
O choro ninguém continha,
Romano veio numa rede,
A mulher em braços vinha,
Mandaram comprar mortalha
Na rua, de noitezinha.

Eu senti a morte dele,
Que ninguém não esperava!
Quando me veio a notiça
Que Romano morto estava,
Logo me veio à lembrança
O tempo em que nós cantava.

Conheço, desde esse dia,
Cantador entusiasmado...
Todo mundo quer cantar,
Cada qual dá seu recado
Porque quem se respeitava
Ja está em cinzas tornado!

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Silvino Pirauá Lima
Silvino Pirauá Lima

Peleja da alma

 SILVINO PIRAUÁ LIMA
SILVINO PIRAUÁ LIMA

Me ajudem

Identificação e contexto básico

Silvino Pirauá de Lima foi um poeta, professor e memorialista brasileiro, figura proeminente na preservação da memória cultural de sua região, o município de Quixadá, no estado do Ceará. Sua obra se dedica a registrar e celebrar a história, as pessoas e os costumes do sertão cearense, atuando como um guardião das tradições locais.

Infância e formação

Embora os detalhes sobre sua infância e formação não sejam amplamente divulgados em fontes acessíveis, é certo que o ambiente do sertão cearense, com suas particularidades culturais e históricas, exerceu uma influência determinante em sua obra. Sua formação como professor, provavelmente, contribuiu para sua capacidade de pesquisa e para seu interesse em documentar a memória de sua terra.

Percurso literário

O percurso literário de Silvino Pirauá de Lima se concentrou na poesia e na escrita memorialística, com um foco claro na valorização da cultura de Quixadá e do sertão cearense. Sua obra é um esforço contínuo de resgatar e perpetuar a identidade de sua região, através de relatos e versos que capturam a essência de seu povo e de sua terra. Sua atuação como memorialista o distingue, pois seu trabalho vai além da expressão poética, buscando um registro histórico e cultural.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Silvino Pirauá de Lima é marcada pelo lirismo e pelo caráter memorialístico, com uma forte ênfase na geografia, na história e nas personalidades de Quixadá e do sertão cearense. Seus poemas e textos procuram evocar a paisagem, os costumes, as tradições e as narrativas que moldam a identidade local. A linguagem de Pirauá de Lima tende a ser acessível e evocativa, buscando conectar o leitor à atmosfera de sua terra natal. O tom é frequentemente de apreço e reverência pela cultura sertaneja, com um cuidado em registrar os detalhes que compõem o mosaico de sua região. Ao se dedicar à memória, ele confere um valor histórico e social à sua produção literária.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Silvino Pirauá de Lima atuou em um contexto em que a valorização das identidades regionais brasileiras ganhava espaço. Sua obra se insere nesse movimento de redescoberta e exaltação das particularidades culturais de diversas partes do país. Ao focar em Quixadá, ele contribui para a diversificação do panorama literário brasileiro, trazendo à tona histórias e vozes que poderiam se perder no tempo. Sua dedicação à memória local o posiciona como um intelectual engajado com a preservação do patrimônio cultural.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Silvino Pirauá de Lima, como relações familiares, afetivas ou crenças pessoais, não são amplamente acessíveis. Sabe-se que sua atuação como professor e seu profundo vínculo com Quixadá foram elementos centrais em sua vida e em sua obra. Sua dedicação à memória de sua terra sugere um forte senso de pertencimento e um desejo de contribuir para a perpetuação de sua história e cultura.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Silvino Pirauá de Lima está intrinsecamente ligado à sua comunidade e à valorização de sua obra memorialística e poética em Quixadá e no Ceará. Sua dedicação em registrar a história local confere-lhe um lugar de destaque como um dos importantes memorialistas da região. Embora sua projeção possa ter sido mais regional, sua contribuição para a preservação da memória cultural é inestimável.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que Silvino Pirauá de Lima tenha sido influenciado por autores que se dedicaram à poesia regionalista e à escrita memorialística, bem como por historiadores e folcloristas que se interessavam pela cultura popular. Seu legado reside na preservação da memória de Quixadá, garantindo que as histórias e os costumes de sua terra continuem a ser conhecidos e valorizados. Sua obra serve como um importante registro para futuras gerações interessadas na história e na cultura sertaneja.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Silvino Pirauá de Lima pode ser interpretada como um ato de resistência contra o esquecimento e como um testemunho do valor da cultura local. Seus poemas e textos memorialísticos oferecem um olhar sensível sobre a vida no sertão, explorando temas como a identidade, a ancestralidade e a relação do homem com a terra. A análise crítica de sua obra pode se concentrar na importância da memória para a construção da identidade regional e nacional.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspectos menos conhecidos de sua vida podem incluir detalhes sobre suas fontes de pesquisa para os trabalhos memorialísticos, suas interações com as figuras históricas que retratou, ou eventuais desafios enfrentados na preservação e divulgação de sua obra. Sua paixão por Quixadá e seu empenho em eternizar sua história e cultura são, em si, aspectos marcantes de seu perfil.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Informações sobre as circunstâncias da morte de Silvino Pirauá de Lima não são prontamente disponíveis. No entanto, sua obra memorialística e poética garante que sua memória e a história de Quixadá permaneçam vivas. A preservação e divulgação de seus escritos são fundamentais para manter seu legado e a memória cultural da região.