Velha Anedota

Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta,
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:

— Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso? —

Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: — Juízo. —


In: AZEVEDO, Artur. Sonetos e peças líricas. Pref. Julio de Freitas J. Rio de Janeiro: Garnier, s.d
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Comentários (4)

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Enirtong52@gmail.com
2025-10-23

Esse poema aprendi no primário numa escola Lassalista nos anos 63/64. Ainda guardo na memória a primeira parte do poema.

ondina bomfim da silva
ondina bomfim da silva
2021-11-17

nosso presidente está bem representado neste poema "Velha Anedota" - autor: arthur de azevedo

Iuri Pinto
Iuri Pinto
2020-08-02

Meu avô recitava. Saudades!!

Regina Schitz
Regina Schitz
2020-04-23

Minha mãe costumava recitar essa anedota para nós. Hoje, meio esquecida, tentou lembrar. Com grata surpresa encontramos aqui os versos na íntegra. Obrigada pela postagem! Essa anedota faz parte das nossas mais caras memórias! ??