Lista de Poemas
PÁSSAROS MATINAIS
que tem o pára-brisas coberto de pólen.
Coloco os óculos de sol.
O canto dos pássaros escurece.
Enquanto isso outro homem compra um diário
na estação de comboio
junto a um grande vagão de carga
completamente vermelho de ferrugem
que cintila ao sol.
Não há vazios por aqui.
Cruza o calor da primavera um corredor frio
por onde alguém entra depressa
e conta como foi caluniado
até na Direcção.
Por uma parte de trás da paisagem
chega a gralha
negra e branca. Pássaro agoirento.
E o melro que se move em todas as direcções
até que tudo seja um desenho a carvão,
salvo a roupa branca na corda de estender:
um coro da Palestina:
Não há vazios por aqui.
É fantástico sentir como cresce o meu poema
enquanto me vou encolhendo
Cresce, ocupa o meu lugar.
Desloca-me.
Expulsa-me do ninho.
O poema está pronto.
O som
De pé, debaixo de uma árvore, sentíamos o tempo descer e descer.
O pátio da escola e o pátio da igreja encontraram-se e espraiaram-se
um no outro como duas tempestades no mar.
O som dos sinos da igreja elevou-se , levado pela alavanca suave
do planador.
Deixaram para trás um silêncio poderoso na terra
e os passos calmos de uma árvore, os passos calmos de uma árvore.
ELEGIA
É uma sala enorme, repleta de sol.
Um camião passa na rua,
faz estremecer a porcelana.
Abro a segunda porta.
Amigos! bebestes da escuridão
e tornaste-vos visíveis.
Terceira porta. Um quarto estreito de hotel.
Vista sobre um beco.
Uma lanterna que brilha no asfalto.
Experiências: belas escórias.
DESDE A MONTANHA
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.
«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.
Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.
CAPRICHOS
e os morcegos prateado - claros apressados
do apito do comboio.
As ruas encheram-se de gente.
E a senhora, que caminha apressada por entre a multidão,
pesa cuidadosamente a última luz do dia na balança dos seus olhos.
As janelas dos escritórios abertas. Ainda se ouve,
como o cavalo bate com os cascos lá dentro.
O velho cavalo com os cascos de carimbo.
As ruas só ficam vazias depois da meia-noite.
Finalmente, é azul em todos os escritórios.
O espaço lá em cima:
troteando sem ruído, dispersa e negra,
despercebida e solta,
atirada ao cavaleiro:
uma nova constelação que eu chamo “ Cavalo “.
A ÁRVORE E A NUVEM
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.
Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.
PAUSA RESPIRATÓRIA EM JULHO
está também lá em cima. Ele flui por milhares de ramos,
balança para cá e para lá,
está sentado num assento ejector que voa em câmara lenta.
Quem está lá em baixo no passadiço, pisca os olhos à água.
Os passadiços envelhecem mais rápido que as pessoas.
Eles têm madeira acinzentada e pedras no estômago
A luz ofuscante bate no fundo.
Quem durante todo o dia navega no barco aberto
por cima das baías cintilantes,
acabará por adormecer numa lâmpada azul,
enquanto as ilhas rastejam pelo vidro como grandes mariposas.
O PALÁCIO
silenciosa e vazia onde a superfície do soalho jazia
como uma pista de patinagem abandonada.
Todas as portas fechadas. O ar cinzento.
Quadros nas paredes. Vimos imagens
mortas que formigavam: placas, pratos de
balança, peixes, figuras lutando num
mundo surdo - mudo no outro lado.
Uma escultura foi exibida no vazio:
sozinho , no meio da sala, estava um cavalo
mas só nos apercebemos disso
depois de todo o vazio nos ter capturado.
os ruídos e as vozes da cidade ouviam-se,
mais fracos do que os rumores numa concha,
circulando neste espaço estéril,
murmurantes , à procura de um poder.
Também outra coisa. Alguma coisa obscura
que ficou nos limiares dos nossos cinco
sentidos, sem os atravessar.
A areia escorria nos copos silenciosos.
Chegou a hora de nos movimentarmos.
Caminhamos na direcção do cavalo. Ele era enorme,
negro como o ferro. Uma imagem do poder
que restou depois dos príncipes terem partido.
O cavalo disse: “ eu sou o único.
O vazio, que me montava, deitei-o fora.
Este é o meu estábulo. Eu cresço devagar.
E aqui dentro, devoro o silêncio. “
Comentários (0)
NoComments
Tomas Tranströmer - Documentary Nobel Laureates [2011]
Tomas Tranströmer Interview: "The Music Says Freedom Exists"
Tomas Tranströmer receives his Nobel Prize
Tomas Tranströmer - Romanska bågar
Tomas Tranströmer reads "Snow Melting Time, 1966" (English & Swedish), 1974 — The Poetry Center
Trainsformers 3 Remastered - Widescreen
Tomas Tranströmer - Madrigal
"The Blue House" - Poem by Tomas Tranströmer performed by Louise Korthals & Tom Jönsthövel
Reading: Robert Hass
Tomas Tranströmer intervju 1989
Tomas Tranströmer Reads From His Work
Interview with Tomas Tranströmer, 2011 Nobel Prize in Literature
Nocturne (English Translation) // Tomas Tranströmer
Tomas Tranströmer - C-dur
TRAINS-FORMERS REBORN | Opthomas Prime Returns!
Tomas Tranströmer förklarad | SVENSKA | Gymnasienivå
Tomas Tranströmer - Gläntan
Tomas Tranströmer - Paret
Tomas Transtromer 2014
Tomas Tranströmer - Efter någons död
Trainsformers 200T Remastered - Widescreen
Die schönste Poesie des Tomas Tranströmer (Radiofeature)
Jane Hirshfield Reads "Tracks" by Tomas Transtromer
Tomas Tranströmer - Eldklotter
'Half-Finished Heaven' by Tomas Tranströmer | Awareness-raising poems
UCLA Uncut: Ross Shideler on Tomas Transtromer
TRAINS-FORMERS: Gauge of Extinction - A Mash-Up Parody Trailer
Tomas Tranströmer framför fyra egna dikter
Tomas Tranströmer - Gläntan
Tomas Tranströmer - Allegro
Tomas Transtromer - Lifetime Recognition award
Peter Handke (Nobel Lecture 2019) reads in Swedish Tomas Tranströmer’s poem: Romanesque Arches -subt
Framåt Natten - Thomas Tranströmer (SVT 1989-03-16)
Tomas Tranströmer - Schubertiana
The Nobel Prize in Literature, 2011 - Tomas Tranströmer
Trainsformers Remastered - Widescreen
Tomas Tranströmer - Öppna och slutna rum
Trainsformers 4 Remastered - Widescreen
Tranströmer intervjuas och läser dikten Allegro
Tomas Tranströmer - Epilog
Tomas Tranströmer - Epigram
Tomas Tranströmer
Nobel 2011:Professor Kjell Espmarks tal till Tomas Tranströmer.
Tomas Tranströmer - Öppna och slutna rum
TOMAS TRANSTROMER La Radura
(Official) TRAINS-FORMERS 5
Via Vitae - Romanska Bågar - Tomas Tranströmer/Per Gunnar Petersson
Tomas Transtromer Aprile e Silenzio
Memories Look At Me by Tomas Tranströmer #shorts #poetryshorts
Tranströmer intervjuas och läser dikten Näktergalen