Wallace Stevens

Wallace Stevens

1879–1955 · viveu 75 anos US US

Wallace Stevens foi um influente poeta americano, conhecido por sua poesia que explora a relação entre a imaginação, a realidade e a linguagem. Sua obra, caracterizada por um estilo sofisticado, um vocabulário rico e uma abordagem filosófica, investiga a natureza da percepção, a busca pela beleza e o poder criativo da mente humana. Stevens, que também foi um executivo de seguros de sucesso, desenvolveu um corpo poético distinto, que se afasta das convenções narrativas e líricas tradicionais, oferecendo meditações profundas sobre a arte, a existência e a busca por um "poema supremo" que harmonize o eu com o mundo.

n. 1879-10-02, Reading · m. 1955-08-02, Hartford

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Anecdote of the Jar

Anecdote of the Jar

I placed a jar in Tennessee,

And round it was, upon a hill.

It made the slovenly wilderness

Surround that hill.

The wilderness rose up to it,

And sprawled around, no longer wild.

The jar was round upon the ground

And tall and of a port in air.

It took dominion everywhere.

The jar was gray and bare.

It did not give of bird or bush,

Like nothing else in Tennessee.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Wallace Stevens nasceu em 19 de outubro de 1879, em Reading, Pensilvânia, e faleceu em 2 de agosto de 1955, em Hartford, Connecticut. Foi um poeta americano de renome, cuja obra é celebrada pela sua beleza formal, exploração filosófica e originalidade. Sua nacionalidade era americana e sua língua de escrita, o inglês. Stevens viveu a maior parte de sua vida adulta no século XX, um período de intensas mudanças sociais e tecnológicas.

Infância e formação

Filho de um advogado, Stevens teve uma educação privilegiada. Estudou na Harvard University, onde se interessou por literatura e filosofia, mas não completou o curso universitário. Posteriormente, frequentou a New York Law School, graduando-se em direito em 1903. Essa formação dual, entre o literário e o pragmático/legal, influenciou sua visão de mundo e sua escrita.

Percurso literário

Stevens começou a publicar poesia tardiamente em sua vida. Sua carreira profissional como executivo de seguros o manteve afastado dos círculos literários convencionais por muitos anos. Seu primeiro livro publicado, "Harmonium", só apareceu em 1923, quando ele já tinha mais de 40 anos. Seguiram-se obras importantes como "Ideas of Order" (1935), "The Man with the Blue Guitar" (1937) e "Transport to Summer" (1947).

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Stevens exploram a relação intrínseca entre a imaginação e a realidade, o eu e o mundo exterior. Temas centrais incluem a percepção, a criação artística, a busca pela beleza, a morte e o papel da poesia em dar forma à experiência humana. Seu estilo é marcado pela sofisticação, pelo uso de um vocabulário preciso e exuberante, e por uma musicalidade refinada. Ele frequentemente utiliza imagens vívidas e abstratas, explorando a ambiguidade e a multiplicidade de significados.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Stevens viveu em uma época de grande desenvolvimento da poesia americana, influenciada por movimentos como o Modernismo. Embora não se alinhasse a nenhum grupo específico, sua obra dialoga com as preocupações de seu tempo em relação à linguagem, à identidade e ao lugar do indivíduo em uma sociedade em rápida transformação. A ascensão da publicidade e da cultura de massa também pode ter influenciado sua reflexão sobre a percepção e a representação.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Wallace Stevens casou-se com Elsie Viola Kachel em 1909. Sua vida pessoal era relativamente privada, com uma dedicação notável à sua carreira no ramo de seguros, onde ascendeu a vice-presidente da Hartford Accident and Indemnity Company. Essa dualidade entre a vida corporativa e a criação poética é um aspecto fascinante de sua biografia.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Stevens como um dos grandes poetas americanos veio gradualmente. Em vida, recebeu importantes prêmios, como o National Book Award em 1955 (pela coletânea "Collected Poems"), o Pulitzer Prize for Poetry em 1955, e o Bollingen Prize em 1951. Sua obra é amplamente estudada e admirada por sua profundidade intelectual e beleza estética.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Stevens foi influenciado por poetas como T.S. Eliot, Ezra Pound, e também por filósofos como George Santayana. Seu legado é imenso, impactando a poesia moderna com sua exploração da linguagem, da imaginação e da capacidade da poesia de ordenar o caos da experiência. Ele é considerado um mestre da forma e da expressão poética.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Stevens é frequentemente objeto de análise crítica que se debruça sobre suas teorias de imaginação, a natureza da realidade e a busca pelo "poema supremo". Seus poemas são vistos como meditações sobre a condição humana, a arte e a forma como construímos o sentido no mundo.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Uma curiosidade é que Stevens era conhecido por sua rotina disciplinada, combinando seu trabalho diário com a escrita poética. Sua correspondência revela um lado mais pessoal e reflexivo, detalhando suas ideias sobre arte e vida.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Wallace Stevens faleceu em 2 de agosto de 1955, em Hartford, Connecticut, vítima de um câncer. Sua morte marcou o fim de uma era para a poesia americana, mas sua obra continua a ser uma fonte de inspiração e estudo, consolidando seu lugar como um dos poetas mais importantes do século XX.

Poemas

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Anecdote of the Jar

Anecdote of the Jar

I placed a jar in Tennessee,

And round it was, upon a hill.

It made the slovenly wilderness

Surround that hill.

The wilderness rose up to it,

And sprawled around, no longer wild.

The jar was round upon the ground

And tall and of a port in air.

It took dominion everywhere.

The jar was gray and bare.

It did not give of bird or bush,

Like nothing else in Tennessee.

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MONTANHA DE JULHO

Nós vivemos numa constelação
De retalho e retinir de sons,
E não num mundo uno, nas coisas ditas
Acuradamente em música ou fala,
Como em piano ou página de poesia -
pensadores sem pensamentos últimos
Num cosmos sempre e sempre incipiente,
Como, ao se subir uma montanha,
Vermont reúne seus vários pedaços.

(Tradução
de João Moura Jr. )

1 013

A POESIA É UMA FORÇA DESTRUTIVA

Isto é que é a miséria,
Nada Ter no coração.
É Ter ou nada.

É uma coisa Ter,
Um leão, um boi no seu peito,
Senti-la respirando ali.

Corazón, cachorro bravo,
Bezerro, urso de pernas tortas,
Ele prova seu sangue, não cospe.

É como um homem
No corpo de uma fera violenta.
São seus os músculos dela...

O leão dorme ao sol.
O nariz entre as patas.
Ela pode matar um homem.

1 270

O REI DO SORVETE

Chame o enrolador de grandes charutos,
Aquele dobrado, e diga-lhe que bata
Os coalhos concupiscentes nas xícaras da cozinha.
Que as gurias zaranzem nos vestidos
Habituais, e os rapazes tragam flores
Em cartuchos de jornais do mês passados.
Que ser seja o final de parecer.
Só há um rei e esse é o rei do sorvete.

Tire da cômoda de pinho,
Que já perdeu três puxadores de vidro, aquele lençol
Que ela bordou um dia com caudas de pavão
E estenda-o de modo a cobrir-lhe o rosto.
Se um pé unhudo sair para fora, é
Para mostrar como ela está fria, como está muda.
Que a lâmpada afixe o seu filete.
Só há um rei e este é o rei do sorvete.

(Tradução
de Décio Pignatari)

2 034

O HOMEM DA NEVE

É preciso uma mente de inverno
Para olhar a geada e os ramos
Dos pinheiros cobertos pela nevada

E há muito tempo fazer frio
Para observar os zimbros arrepiados de gelo,
Os abetos ásperos no brilho distante

Do sol de janeiro; e não pensar
Em qualquer miséria no som do vento,
No som de umas poucas folhas

Que é o som da terra
Cheia do mesmo vento
Que sopra no mesmo lugar vazio

Para alguém que escuta, escuta na neve,
E, ausente, observa
Nada que não está lá e o nada que é.

(Tradução
de Paulo Venâncio Filho )

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Citações

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