John Berryman
John Berryman foi um poeta americano de renome, conhecido pela sua intensidade lírica e pela exploração de temas como a dor, a identidade, a loucura e a mortalidade. A sua obra mais célebre, "The Dream Songs", é uma peça monumental que lhe valeu o Prémio Pulitzer e o National Book Award, e que o estabeleceu como uma das vozes mais importantes da poesia americana do século XX. Berryman lutou com problemas de saúde mental ao longo da vida, e esta angústia pessoal frequentemente transparece na sua poesia, conferindo-lhe uma honestidade brutal e uma profundidade emocional notáveis.
n. 1914-10-25, McAlester · m. 1972-01-07, Minneapolis
Biografia
Identificação e contexto básico
John Berryman, nascido John Smith, foi um proeminente poeta americano, conhecido pelo seu trabalho no século XX. A sua nacionalidade era americana e a língua de escrita foi o inglês. Nasceu em 25 de outubro de 1914, em McAlester, Oklahoma, e faleceu em 7 de janeiro de 1972, em Minneapolis, Minnesota. Cresceu numa família de classe média, com o seu pai a ser pastor protestante, o que pode ter influenciado alguns dos temas da sua obra.Infância e formação
A infância de Berryman foi marcada por eventos traumáticos, incluindo o suicídio do seu pai quando ele tinha apenas dez anos. Este evento teve um impacto profundo e duradouro na sua vida e na sua poesia. Após a morte do pai, a sua mãe casou-se novamente com John Berryman, de quem John Smith adotou o nome. Recebeu uma educação formal em instituições de prestígio, como a Universidade de Columbia, onde estudou literatura e foi exposto a influências literárias significativas.Percurso literário
Berryman começou a escrever poesia cedo e rapidamente se destacou no cenário literário americano. A sua obra evoluiu ao longo do tempo, com fases que refletem as suas lutas pessoais e a sua crescente mestria técnica. Publicou vários livros de poesia ao longo da sua carreira, incluindo "The Nervous Reel" (1941), "Berryman's Sonnets" (1967) e a sua obra-prima, "The Dream Songs" (1969). Foi também um académico respeitado, lecionando em diversas universidades, o que lhe permitiu interagir e influenciar gerações de estudantes de literatura.Obra, estilo e características literárias
Obra, estilo e características literárias A obra de Berryman é caracterizada pela sua profundidade emocional, honestidade brutal e exploração de temas complexos como a dor, a identidade, a alienação, a mortalidade e a busca por significado. "The Dream Songs", a sua obra mais aclamada, é um ciclo de poemas que narra as experiências de um personagem chamado Henry, um alter ego do poeta. Berryman utilizava frequentemente o verso livre, mas com uma forte consciência do ritmo e da musicalidade. A sua linguagem é rica em metáforas, imagens vívidas e alusões literárias. O tom poético pode variar entre o lírico, o confessional e o trágico. Berryman é frequentemente associado ao Modernismo tardio e a uma poesia que se inclina para o confessionismo, explorando as profundezas da psique humana.Obra, estilo e características literárias
Contexto cultural e histórico Berryman viveu num período de intensa turbulência social e política nos Estados Unidos, incluindo a Guerra Fria, o movimento pelos direitos civis e a Guerra do Vietname. A sua obra reflete, de certa forma, a ansiedade e a crise existencial que caracterizaram essa época. Foi contemporâneo de outros grandes poetas americanos, como Robert Lowell e Allen Ginsberg, e interagiu com eles, embora o seu estilo fosse distintivo. A sua geração de poetas, muitas vezes designada como a "poesia confessional", procurou abordar experiências pessoais de forma crua e direta.Obra, estilo e características literárias
Vida pessoal A vida pessoal de Berryman foi marcada por um sofrimento considerável, especialmente devido a problemas de saúde mental, alcoolismo e tentativas de suicídio. Estas lutas tiveram um impacto significativo na sua vida e no seu trabalho. Manteve relações pessoais complexas e enfrentou crises existenciais que se refletiram na sua poesia. A sua dedicação à escrita foi, em muitos momentos, uma forma de lidar com as suas dificuldades internas.Obra, estilo e características literárias
Reconhecimento e receção Berryman alcançou um reconhecimento considerável durante a sua vida, especialmente após a publicação de "The Dream Songs". Ganhou o Prémio Pulitzer de Poesia em 1970 e o National Book Award em 1969 por esta obra. Foi considerado um dos poetas mais importantes da sua geração, e o seu trabalho é amplamente estudado em universidades e círculos literários. A sua recepção crítica foi geralmente muito positiva, elogiando a sua originalidade e a sua capacidade de expressar a complexidade da experiência humana.Obra, estilo e características literárias
Influências e legado Berryman foi influenciado por poetas como T.S. Eliot, W.B. Yeats e John Donne. Por sua vez, ele próprio influenciou muitos poetas posteriores com a sua intensidade lírica e a sua abordagem corajosa de temas difíceis. A sua obra é vista como um marco na poesia americana do século XX, e "The Dream Songs" é considerada uma das obras mais importantes da literatura americana. O seu legado reside na sua capacidade de fundir o pessoal com o universal, o lírico com o épico, e de dar voz a uma profunda angústia humana com extraordinária arte.Obra, estilo e características literárias
Interpretação e análise crítica A obra de Berryman tem sido objeto de inúmeras interpretações críticas, focando-se na sua exploração da psique, da identidade fragmentada e da condição humana. As suas lutas com a saúde mental e o alcoolismo são frequentemente discutidas em relação à sua produção poética, levantando questões sobre a relação entre arte e sofrimento. A complexidade de "The Dream Songs" continua a desafiar leitores e críticos, oferecendo múltiplas camadas de significado.Obra, estilo e características literárias
Curiosidades e aspetos menos conhecidos Berryman era conhecido pela sua personalidade complexa e por vezes volátil. Tinha um fascínio por figuras históricas e literárias, o que se reflete nas suas referências. Uma curiosidade é a sua afiliação com figuras do jazz e do blues, que ele admirava e cujas estruturas rítmicas parecem ter influenciado a sua poesia. Há relatos de que era um leitor voraz e que o seu processo criativo envolvia longas e intensas sessões de escrita.Obra, estilo e características literárias
Morte e memória John Berryman morreu por suicídio em 7 de janeiro de 1972, atirando-se da janela de uma ponte em Minneapolis. A sua morte prematura foi um choque para o mundo literário. Publicações póstumas continuaram a surgir, mantendo viva a sua obra e o seu legado.Poemas
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A arquitetura está longe de reconfortar.
Sinto-me inquieto.
É pena,-- a entrevista começou tão bem:
mencionei coisas vilanescas, ele mandou-as embora
e malpreparou um martini
estranhamente precisado. Tratamos de assuntos indiferentes --
a saúde de Deus, o vago inferno do Congo,
a energia de John,
questões de anti-matéria. Senti-me bem.
Mas veio uma mudança trás para frente. Caiu um frio.
A conversa ralentou,
morreu, e ele começou com os olhares de soslaio.
'Cristo', pensei, 'e agora?' e bem teria pedido mais um
mas não ousei.
Senti que minha petição fracassava. Está escurecendo,
um outro som se sobrepondo. Suas últimas palavras foram:
'Nós traímos a mim'.
(tradução de Ismar Tirelli Neto)
Dream Song 55
John Berryman
Peter's not friendly. He gives me sideways looks.
The architecture is far from reassuring.
I feel uneasy.
A pity, -- the interview began so well:
I mentioned fiendish things, he waved them away
and sloshed out a martini
strangely needed. We spoke of indifferent matters --
God's health, the vague hell of the Congo,
John's energy,
anti-matter matter. I felt fine.
Then a change came backward. A chill fell.
Talk slackened,
died, and he began giving me sideways looks.
'Christ', I thought, 'what now?” and would have askt for another
but didn't dare.
I feel my application failing. It's growing dark,
some other sound is overcoming. His last words are:
'We betrayed me'.
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22
Eu sou a garota que, apesar de sabida.
Eu sou o rei da piscina.
Eu sou tão sábio que pedi costurassem minha boca.
Eu sou um oficial do governo & um maldito idiota.
Eu sou uma dama que leva na esportiva.
Eu sou o inimigo da mente.
Eu sou o vendedor de automóveis e te amo.
Eu sou um câncer adolescente, com um plano.
Eu sou o homem desmaiado.
Eu sou a mulher poderosa como um zôo.
Eu sou dois olhos parafusados ao aparelho, cuja cega –
É Independência.
A cobrar: enquanto o moribundo,
abandonado por teu criador, que perdoa,
vai arfando “Thomas Jefferson ainda vive”
em vão, em vão, em vão.
Eu sou Henry Gatinho! Meus bigodes voam.
(tradução de Ismar Tirelli Neto)
Dream Song 22
John Berryman
I am the little man who smokes & smokes.
I am the girl who does know better but.
I am the king of the pool.
I am so wise I had my mouth sewn shut.
I am a government official & a goddamned fool.
I am a lady who takes jokes.
I am the enemy of the mind.
I am the autosalesman and lóve you.
I am a teenage cancer, with a plan.
I am the blackt-out man.
I am the woman powerful as a zoo.
I am two eyes screwed to my set, whose blind –
It is the Fourth of July.
Collect: while the dying man,
forgone by your creator, who forgives,
is gasping “Thomas Jefferson still lives”
in vain, in vain, in vain.
I am Henry Pussy-cat! My whiskers fly.
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- Que então, Mr. Bones?
se tu num se incomoda.
- Henry. Henry tomou interesse pelo corpo das mulheres,
suas virilhas foram & foram palco de feitos estupendos.
Estupor. De joelhos, meu bem. Ore.
Todos as saliências & suavidades de, Deus meu,
o agachar-se & a confusão isto enxameava em Henry,
certa vez.
- Que então, Mr. Bones?
tu parece como que excitado.
Descaiu Henry, as costas no crime que origina: arte, rima
além dum sentimento do alheio, Deus meu, Deus meu,
e inveja da honra (vivente) de sua terra.
o que haveria de mais estranho?
e desgosto das gangues prosperantes & de heróis.
- Que então, Mr. Bones?
Tive uma sorte veramente fabulosa. Morri.
(tradução de Ismar Tirelli Neto)
Dream Song 26
John Berryman
The glories of the world struck me, made me aria, once.
-- What happen then, Mr. Bones?
if be you cares to say.
-- Henry. Henry became interested in women's bodies,
his loins were & were the scene of stupendous achievement.
Stupor. Knees, dear. Pray.
All the knobs & softnesses of, my God,
the ducking & trouble it swarm on Henry,
at one time.
-- What happen then, Mr. Bones?
you seems excited-like.
-- Fell Henry back into the original crime: art, rime
besides a sense of others, my God, my God,
and jealousy for the honour (alive) of his country,
what can get more odd?
and discontent with the thriving gangs & pride.
-- What happen then, Mr. Bones?
-- I had a most marvellous piece of luck. I died.
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