John Berryman

John Berryman

1914–1972 · viveu 57 anos US US

John Berryman foi um poeta americano de renome, conhecido pela sua intensidade lírica e pela exploração de temas como a dor, a identidade, a loucura e a mortalidade. A sua obra mais célebre, "The Dream Songs", é uma peça monumental que lhe valeu o Prémio Pulitzer e o National Book Award, e que o estabeleceu como uma das vozes mais importantes da poesia americana do século XX. Berryman lutou com problemas de saúde mental ao longo da vida, e esta angústia pessoal frequentemente transparece na sua poesia, conferindo-lhe uma honestidade brutal e uma profundidade emocional notáveis.

n. 1914-10-25, McAlester · m. 1972-01-07, Minneapolis

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Eu sou o homem pequenino que fuma & fuma.
Eu sou a garota que, apesar de sabida.
Eu sou o rei da piscina.
Eu sou tão sábio que pedi costurassem minha boca.
Eu sou um oficial do governo & um maldito idiota.
Eu sou uma dama que leva na esportiva.

Eu sou o inimigo da mente.
Eu sou o vendedor de automóveis e te amo.
Eu sou um câncer adolescente, com um plano.
Eu sou o homem desmaiado.
Eu sou a mulher poderosa como um zôo.
Eu sou dois olhos parafusados ao aparelho, cuja cega –
É Independência.
A cobrar: enquanto o moribundo,
abandonado por teu criador, que perdoa,
vai arfando “Thomas Jefferson ainda vive”
em vão, em vão, em vão.
Eu sou Henry Gatinho! Meus bigodes voam.

(tradução de Ismar Tirelli Neto)




Dream Song 22
John Berryman

I am the little man who smokes & smokes.
I am the girl who does know better but.
I am the king of the pool.
I am so wise I had my mouth sewn shut.
I am a government official & a goddamned fool.
I am a lady who takes jokes.

I am the enemy of the mind.
I am the autosalesman and lóve you.
I am a teenage cancer, with a plan.
I am the blackt-out man.
I am the woman powerful as a zoo.
I am two eyes screwed to my set, whose blind –


It is the Fourth of July.
Collect: while the dying man,
forgone by your creator, who forgives,
is gasping “Thomas Jefferson still lives”
in vain, in vain, in vain.
I am Henry Pussy-cat! My whiskers fly.



Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

John Berryman, nascido John Smith, foi um proeminente poeta americano, conhecido pelo seu trabalho no século XX. A sua nacionalidade era americana e a língua de escrita foi o inglês. Nasceu em 25 de outubro de 1914, em McAlester, Oklahoma, e faleceu em 7 de janeiro de 1972, em Minneapolis, Minnesota. Cresceu numa família de classe média, com o seu pai a ser pastor protestante, o que pode ter influenciado alguns dos temas da sua obra.

Infância e formação

A infância de Berryman foi marcada por eventos traumáticos, incluindo o suicídio do seu pai quando ele tinha apenas dez anos. Este evento teve um impacto profundo e duradouro na sua vida e na sua poesia. Após a morte do pai, a sua mãe casou-se novamente com John Berryman, de quem John Smith adotou o nome. Recebeu uma educação formal em instituições de prestígio, como a Universidade de Columbia, onde estudou literatura e foi exposto a influências literárias significativas.

Percurso literário

Berryman começou a escrever poesia cedo e rapidamente se destacou no cenário literário americano. A sua obra evoluiu ao longo do tempo, com fases que refletem as suas lutas pessoais e a sua crescente mestria técnica. Publicou vários livros de poesia ao longo da sua carreira, incluindo "The Nervous Reel" (1941), "Berryman's Sonnets" (1967) e a sua obra-prima, "The Dream Songs" (1969). Foi também um académico respeitado, lecionando em diversas universidades, o que lhe permitiu interagir e influenciar gerações de estudantes de literatura.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Berryman é caracterizada pela sua profundidade emocional, honestidade brutal e exploração de temas complexos como a dor, a identidade, a alienação, a mortalidade e a busca por significado. "The Dream Songs", a sua obra mais aclamada, é um ciclo de poemas que narra as experiências de um personagem chamado Henry, um alter ego do poeta. Berryman utilizava frequentemente o verso livre, mas com uma forte consciência do ritmo e da musicalidade. A sua linguagem é rica em metáforas, imagens vívidas e alusões literárias. O tom poético pode variar entre o lírico, o confessional e o trágico. Berryman é frequentemente associado ao Modernismo tardio e a uma poesia que se inclina para o confessionismo, explorando as profundezas da psique humana.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Berryman viveu num período de intensa turbulência social e política nos Estados Unidos, incluindo a Guerra Fria, o movimento pelos direitos civis e a Guerra do Vietname. A sua obra reflete, de certa forma, a ansiedade e a crise existencial que caracterizaram essa época. Foi contemporâneo de outros grandes poetas americanos, como Robert Lowell e Allen Ginsberg, e interagiu com eles, embora o seu estilo fosse distintivo. A sua geração de poetas, muitas vezes designada como a "poesia confessional", procurou abordar experiências pessoais de forma crua e direta.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Berryman foi marcada por um sofrimento considerável, especialmente devido a problemas de saúde mental, alcoolismo e tentativas de suicídio. Estas lutas tiveram um impacto significativo na sua vida e no seu trabalho. Manteve relações pessoais complexas e enfrentou crises existenciais que se refletiram na sua poesia. A sua dedicação à escrita foi, em muitos momentos, uma forma de lidar com as suas dificuldades internas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Berryman alcançou um reconhecimento considerável durante a sua vida, especialmente após a publicação de "The Dream Songs". Ganhou o Prémio Pulitzer de Poesia em 1970 e o National Book Award em 1969 por esta obra. Foi considerado um dos poetas mais importantes da sua geração, e o seu trabalho é amplamente estudado em universidades e círculos literários. A sua recepção crítica foi geralmente muito positiva, elogiando a sua originalidade e a sua capacidade de expressar a complexidade da experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Berryman foi influenciado por poetas como T.S. Eliot, W.B. Yeats e John Donne. Por sua vez, ele próprio influenciou muitos poetas posteriores com a sua intensidade lírica e a sua abordagem corajosa de temas difíceis. A sua obra é vista como um marco na poesia americana do século XX, e "The Dream Songs" é considerada uma das obras mais importantes da literatura americana. O seu legado reside na sua capacidade de fundir o pessoal com o universal, o lírico com o épico, e de dar voz a uma profunda angústia humana com extraordinária arte.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Berryman tem sido objeto de inúmeras interpretações críticas, focando-se na sua exploração da psique, da identidade fragmentada e da condição humana. As suas lutas com a saúde mental e o alcoolismo são frequentemente discutidas em relação à sua produção poética, levantando questões sobre a relação entre arte e sofrimento. A complexidade de "The Dream Songs" continua a desafiar leitores e críticos, oferecendo múltiplas camadas de significado.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Berryman era conhecido pela sua personalidade complexa e por vezes volátil. Tinha um fascínio por figuras históricas e literárias, o que se reflete nas suas referências. Uma curiosidade é a sua afiliação com figuras do jazz e do blues, que ele admirava e cujas estruturas rítmicas parecem ter influenciado a sua poesia. Há relatos de que era um leitor voraz e que o seu processo criativo envolvia longas e intensas sessões de escrita.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória John Berryman morreu por suicídio em 7 de janeiro de 1972, atirando-se da janela de uma ponte em Minneapolis. A sua morte prematura foi um choque para o mundo literário. Publicações póstumas continuaram a surgir, mantendo viva a sua obra e o seu legado.

Poemas

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Eu sou o homem pequenino que fuma & fuma.
Eu sou a garota que, apesar de sabida.
Eu sou o rei da piscina.
Eu sou tão sábio que pedi costurassem minha boca.
Eu sou um oficial do governo & um maldito idiota.
Eu sou uma dama que leva na esportiva.

Eu sou o inimigo da mente.
Eu sou o vendedor de automóveis e te amo.
Eu sou um câncer adolescente, com um plano.
Eu sou o homem desmaiado.
Eu sou a mulher poderosa como um zôo.
Eu sou dois olhos parafusados ao aparelho, cuja cega –
É Independência.
A cobrar: enquanto o moribundo,
abandonado por teu criador, que perdoa,
vai arfando “Thomas Jefferson ainda vive”
em vão, em vão, em vão.
Eu sou Henry Gatinho! Meus bigodes voam.

(tradução de Ismar Tirelli Neto)




Dream Song 22
John Berryman

I am the little man who smokes & smokes.
I am the girl who does know better but.
I am the king of the pool.
I am so wise I had my mouth sewn shut.
I am a government official & a goddamned fool.
I am a lady who takes jokes.

I am the enemy of the mind.
I am the autosalesman and lóve you.
I am a teenage cancer, with a plan.
I am the blackt-out man.
I am the woman powerful as a zoo.
I am two eyes screwed to my set, whose blind –


It is the Fourth of July.
Collect: while the dying man,
forgone by your creator, who forgives,
is gasping “Thomas Jefferson still lives”
in vain, in vain, in vain.
I am Henry Pussy-cat! My whiskers fly.



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Sentou-se, certa vez, no coração de Henry algo
tão pesado, que se tivesse cem anos
&mais, & aos prantos, insone, por todo esse tempo
Henry não poderia tornar o Bem.
Recomeça e sempre em seus ouvidos,
a pequena tosse em algum lugar, um odor, um badalo.
E há outra coisa que ele tem em mente
como um grave rosto de Siena, milenar
não conseguiria borrar sua censura quieta e perfilada. Horrendo,
olhos abertos, ele atenta, cego.
Todos os sinos dizem: tarde demais. Isto não se pranteia:
pensar.
Mas nunca Henry, conforme pensara,
dá cabo de alguém e esquarteja seu corpo
e esconde os bocados onde possam encontrá-la.
Ele sabe: verificou a todos,& ninguém está desaparecido.
Com freqüência, ao amanhecer, ele faz as contas.
Ninguém nunca está desaparecido.
(tradução de Ismar Tirelli Neto)
Dream Song 29
John Berryman
There sat down, once, a thing on Henry's heart
só heavy, if he had a hundred years
&more, & weeping, sleepless, in all them time
Henry could not make good.
Starts again always in Henry's ears
the little cough somewhere, an odour, a chime.
And there is another thing he has in mind
like a grave Sienese face a thousand years
would fail to blur the still profiled reproach of. Ghastly,
with open eyes, he attends, blind.
All the bells say: too late. This is not for tears;
thinking.
But never did Henry, as he thought he did,
end anyone and hacks her body up
and hide the pieces, where they may be found.
He knows: he went over everyone,& nobody's missing.
Often he reckons, in the dawn, them up.
Nobody is ever missing.
1 099

55

Peter não é amigável. Dá-me olhares de soslaio.
A arquitetura está longe de reconfortar.
Sinto-me inquieto.
É pena,-- a entrevista começou tão bem:
mencionei coisas vilanescas, ele mandou-as embora
e malpreparou um martini

estranhamente precisado. Tratamos de assuntos indiferentes --
a saúde de Deus, o vago inferno do Congo,
a energia de John,
questões de anti-matéria. Senti-me bem.
Mas veio uma mudança trás para frente. Caiu um frio.
A conversa ralentou,

morreu, e ele começou com os olhares de soslaio.
'Cristo', pensei, 'e agora?' e bem teria pedido mais um
mas não ousei.
Senti que minha petição fracassava. Está escurecendo,
um outro som se sobrepondo. Suas últimas palavras foram:
'Nós traímos a mim'.

(tradução de Ismar Tirelli Neto)



Dream Song 55
John Berryman

Peter's not friendly. He gives me sideways looks.
The architecture is far from reassuring.
I feel uneasy.
A pity, -- the interview began so well:
I mentioned fiendish things, he waved them away
and sloshed out a martini

strangely needed. We spoke of indifferent matters --
God's health, the vague hell of the Congo,
John's energy,
anti-matter matter. I felt fine.
Then a change came backward. A chill fell.
Talk slackened,

died, and he began giving me sideways looks.
'Christ', I thought, 'what now?” and would have askt for another
but didn't dare.
I feel my application failing. It's growing dark,
some other sound is overcoming. His last words are:
'We betrayed me'.



759

26

As glórias do mundo me bateram, fizeram-me ária, certa vez.
- Que então, Mr. Bones?
se tu num se incomoda.
- Henry. Henry tomou interesse pelo corpo das mulheres,
suas virilhas foram & foram palco de feitos estupendos.
Estupor. De joelhos, meu bem. Ore.

Todos as saliências & suavidades de, Deus meu,
o agachar-se & a confusão isto enxameava em Henry,
certa vez.
- Que então, Mr. Bones?
tu parece como que excitado.
Descaiu Henry, as costas no crime que origina: arte, rima

além dum sentimento do alheio, Deus meu, Deus meu,
e inveja da honra (vivente) de sua terra.
o que haveria de mais estranho?
e desgosto das gangues prosperantes & de heróis.
- Que então, Mr. Bones?
Tive uma sorte veramente fabulosa. Morri.

(tradução de Ismar Tirelli Neto)



Dream Song 26
John Berryman


The glories of the world struck me, made me aria, once.
-- What happen then, Mr. Bones?
if be you cares to say.
-- Henry. Henry became interested in women's bodies,
his loins were & were the scene of stupendous achievement.
Stupor. Knees, dear. Pray.

All the knobs & softnesses of, my God,
the ducking & trouble it swarm on Henry,
at one time.
-- What happen then, Mr. Bones?
you seems excited-like.
-- Fell Henry back into the original crime: art, rime

besides a sense of others, my God, my God,
and jealousy for the honour (alive) of his country,
what can get more odd?
and discontent with the thriving gangs & pride.
-- What happen then, Mr. Bones?
-- I had a most marvellous piece of luck. I died.



840

14

A vida, amigos, é um tédio. Não devemos dizê-lo.
Afinal, o céu se acende, o verde mar anseia,
nós mesmos acendemos e ansiamos,
e ademais disse-me a mãe em pequeno
(repetidamente) 'Confessar-se entendiado
significa que não tens
Recursos Interiores´. Concluo agora que não tenho
recursos interiores, pois estou entediado às profundas.
As gentes me entediam,
a literatura me entedia, especialmente a grande literatura,
Henry me entendia, com seus apertos& apuros
tão graves quanto os de Aquiles,
que ama as gentes e a arte valorosa, que me entendiam.
E as plácidas colinas,& o gim, parecem uma chatice
e de algum modo um cachorro
levou-se a si próprio& ao rabo consideravelmente embora
para as montanhas ou o mar ou o céu, deixando
para trás: a mim, balanço.
(tradução de Ismar Tirelli Neto)
Dream Song 14
John Berryman
Life, friends, is boring. We must not say so.
After all, the sky flashes, the green sea yearns,
we ourselves flash and yearn,
and moreover my mother told me as a boy
(repeatingly) 'Ever to confess you're bored
means you have no
Inner Resources.' I conclude now I have no
inner resources, because I am heavy bored.
Peoples bore me,
literature bores me, especially great literature,
Henry bores me, with his plights& gripes
as bad as achilles,
who loves people and valiant art, which bores me.
And the tranquil hills,& gin, look like a drag
and somehow a dog
has taken itself& his tail considerably away
into mountains or sea or sky, leaving
behind: me, wag.
731

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