Zuca Sardan

Zuca Sardan

1933–2026 · viveu 92 anos BR BR

Poeta, escritor, desenhista e diplomata brasileiro, nome literário de Carlos Felipe Alves Saldanha. Foi um dos representantes da poesia marginal brasileira da década de 1970. Sua obra é marcada pela irreverência e pela ironia.

n. 1933-08-18, Rio de Janeiro · m. 2026-08-06, Hamburgo

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Enigma Egypcio

"Decifra-me
ou te devoro ... "

"Mas devagarzinho ...
Bem devagarzinho ... "


In: SARDAN, Zuca. Osso do coração. Il. do autor. Campinas: Ed. da Unicamp, 1993. (Matéria de poesia)
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Biografia

Saldanha nasceu no Rio de Janeiro, filho do artista plástico Firmino Saldanha. Começou a seguir a carreira de pintura, mas inspirado no filme Orfeu de Jean Cocteau decidiu tornar-se "um famoso poeta surrealista desconhecido", em suas palavras. Nos anos 1950, publicou folhetos mimeografados ("spholhetos") de pequena tiragem com suas poesias. Mais tarde, adotaria o xerox.

Saldanha formou-se em Arquitetura pela Universidade do Brasil, em 1956. Entre 1963 e 1965 fez o curso preparatório de diplomata no Instituto Rio Branco. Serviu como diplomata na Argélia, República Dominicana, Estados Unidos, União Soviética, Holanda e Alemanha, onde radicou-se em Hamburgo.

Saldanha participou em 1976 da coletânea "26 Poetas Hoje", juntamente com nomes como Ana Cristina César, Cacaso, Geraldo Carneiro, Chacal, Waly Salomão e Torquato Neto.

O artista assinava suas obras como Carlos Saldanha, depois como Zuca Sardana, tendo finalmente adotado o nome Zuca Sardan em 1993, com a publicação de "Osso do Coração".

Morte

Saldanha morreu em 6 de agosto de 2026, em Hamburgo, aos 93 anos, em decorrência de uma queda.

Obras publicadas em livro

  • 1976- 26 poetas hoje (coletânea- org. de Heloísa Buarque de Hollanda) (Editora Aeroplano)
  • 1993- Osso do coração (Ed. da Unicamp)
  • 1994-Ás de Colete (Ed. da Unicamp)
  • 2004- Babylon (Companhia das Letras)
  • 2013- Ximerix (Cosac Naify)
  • 2014- Voe no Zeplin (Maria Papelão)
  • 2015 - Xorok Kopox (Vento Norte Cartonero)

Poemas

9

Enigma Egypcio

"Decifra-me
ou te devoro ... "

"Mas devagarzinho ...
Bem devagarzinho ... "


In: SARDAN, Zuca. Osso do coração. Il. do autor. Campinas: Ed. da Unicamp, 1993. (Matéria de poesia)
1 718

Calote Metaphysico

A vida é curta
e a salvação difícil...
Além de que a salvação pessoal
parece um negócio
dos mais duvidosos...

conviria primeiro saber
se a salvação em si
existe.

E se não existe...
então aquela força
e os sacrifícios
só pra no fim levar
o calote metafísico!...


In: SARDAN, Zuca. Ás de colete. Pref. Alcides Villaça. Il. do autor. 2.ed. Campinas: Ed. da Unicamp, 1994. p.114. (Matéria de poesia
1 515

Os Deuses Eles Mesmos Morrem

Deprressa
Zorra Morrena
é breziza amar
mais ligeirras cas Walkyrias
ki galopam no Céu
danzando nossas horras
no Espresso de Saturno
si vom emborra
e non foltam
o brrezo da bassagem
nem brra reklamar .

Os Deuses eles mesmos morrem
mas os vermes soberranos
demorram roendo
roendo ...

Os vermes son klientes
o koveirro kafeton .

Só sobrram no vento
velhos trrapos
nossas almas pendurradas
no arrame farpado
do kintal sburrakado
do Palácio de Pluton .


In: SARDAN, Zuca. Osso do coração. Il. do autor. Campinas: Ed. da Unicamp, 1993. (Matéria de poesia)
1 587

Naufrágio

Quem pratica a virtude
só pra ganhar boa média
está mesmo muito perto
do vício.
Mais prático, no caso,
logo começar pelo vício...

Não há força sem habilidade.
Mas, pra que força?
Habilidade, só, resolve...

Responde-me, oh Infortúnio,
grão parteiro do Gênio:
"É menina ou menino?"

Oh almas fortes
domadoras da voluptuosidade,
Pilotos hábeis e serenos
evitando os rochedos:
"HOMEM AO MAR!!"


In: SARDAN, Zuca. Ás de colete. Pref. Alcides Villaça. Il. do autor. 2.ed.ampinas: Ed. da Unicamp, 1994. p.19. (Matéria de poesia
1 803

Veludosa Cantilena

"E você
minha fofa gordinha
como se chama ?"
perguntou
pra juvenil Mosquinha
cheio de manha
o ardiloso
Doutor Aranha ...


In: SARDAN, Zuca. Osso do coração. Il. do autor. Campinas: Ed. da Unicamp, 1993. (Matéria de poesia)
1 503

Crepúsculo

O Sol ia afundando,
pouco a pouco,
no oceano ...
Não se deixou, porém,
impressionar ...
porque sabia
que a Terra
era redonda ...
e ele não estava assim
propriamente afundando,
mas rolando
pro lado de lá ...

( Pelo menos,
foi o que lhe contaram ... )


In: SARDAN, Zuca. Osso do coração. Il. do autor. Campinas: Ed. da Unicamp, 1993. (Matéria de poesia)
1 526

Drama nos Bastidores

O palhaço afinal
muito sem graça
era mesmo
além de careca
ladrão de mulher:
Só numa matinê
sumiu com cinco
bem gostosinhas...

Chamaram o delegado
que prendeu por engano
o domador de leões.

O palhaço se esbodegou
de rir e rolou
no camarim dos fundos
com duas mulheres nuas
e um prato de goiabada...
até o macaco
andou tirando umas casquinhas...

Este mundo anda mesmo
uma falta de vergonha...


In: SARDAN, Zuca. Ás de colete. Pref. Alcides Villaça. Il. do autor. 2.ed.ampinas: Ed. da Unicamp, 1994. p.113. (Matéria de poesia
1 454

Mal Comparando

Se poesia fosse táxi
já arrancava
com o leitor pagando
bandeira dois.


In: SARDAN, Zuca. Osso do coração. Il. do autor. Campinas: Ed. da Unicamp, 1993. (Matéria de poesia)
1 457

Menino Precoce

Filho do dispéptico Desengano
e da cigana Astúcia,
o Tempo foi um bebê difícil,
muito manhoso e macambúzio
que fazia xixi
na barba branca ...


In: SARDAN, Zuca. Osso do coração. Il. do autor. Campinas: Ed. da Unicamp, 1993. (Matéria de poesia)
1 564

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