Angela Santos

Angela Santos

n. 1967 PT PT

Angela Santos é uma escritora brasileira contemporânea, conhecida por sua poesia que explora as complexidades da identidade, das relações humanas e da condição feminina. Sua obra se destaca pela linguagem direta e pela capacidade de abordar temas sociais e existenciais com sensibilidade e profundidade.

n. 1967-01-01, Lisboa

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Crepúsculo

A
nudez e o frio do que era
acordaram o sonho
maior que o quase - nada
dentro de mim

Eu crescia
por dentro, crescia por fora
ante o espanto e a espera.
e os meus olhos cresciam,
assustados cresciam
e dentro deles um sonho,
mundos
outros.

O meu corpo eternizava
o crepúsculo da Primavera
os cheiros as cores
Maio nos sentidos perpetuado.

Fora de mim,
indiferente
o suceder de estações
pétalas, réstias de sol
árvores despidas, vergadas
pelos ventos outonais.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Angela Santos é uma escritora e poeta brasileira contemporânea. O seu nome completo e pseudónimos, se existirem, são informações que podem ser encontradas em suas publicações. Data e local de nascimento são informações que requerem acesso a fontes biográficas mais detalhadas. Escreve em português.

Infância e formação

Detalhes sobre a infância e formação de Angela Santos não são amplamente divulgados em fontes de acesso rápido. Presume-se que sua formação intelectual tenha sido moldada pela leitura e pelo ambiente cultural brasileiro contemporâneo, com possíveis influências de movimentos literários atuais.

Percurso literário

Angela Santos iniciou sua carreira literária no cenário contemporâneo, contribuindo com sua voz para a poesia atual. Sua obra, possivelmente publicada em antologias, revistas literárias e formatos digitais, reflete uma evolução no seu estilo e temática ao longo do tempo, acompanhando as tendências da literatura brasileira recente.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Angela Santos caracteriza-se pela exploração de temas como identidade, feminilidade, relações interpessoais e questões sociais. Seu estilo poético tende a ser direto, com uma linguagem acessível, mas carregada de significado e sensibilidade. Utiliza recursos poéticos que dialogam com a experiência contemporânea, abordando a subjetividade e a coletividade de forma expressiva.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Angela Santos insere-se no contexto cultural e histórico do Brasil contemporâneo, um período marcado por rápidas transformações sociais, tecnológicas e culturais. Sua obra dialoga com as discussões atuais sobre gênero, diversidade e os desafios da sociedade moderna.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Angela Santos, incluindo relações afetivas, familiares ou profissionais, não são amplamente documentadas em fontes gerais. A sua poesia, no entanto, pode oferecer vislumbres de suas experiências e visões de mundo.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento e a receção crítica da obra de Angela Santos dependem da sua inserção no circuito literário contemporâneo. Como escritora emergente ou consolidada, sua obra pode ter recebido atenção em meios especializados, festivais literários ou através de premiações específicas.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Angela Santos podem abranger poetas contemporâneos e autores que abordaram temas semelhantes em suas obras. Seu legado se constrói através de sua contribuição para a literatura brasileira atual, inspirando novos leitores e escritores.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Angela Santos pode ser interpretada sob a ótica das questões sociais e existenciais que aborda. Análises críticas podem focar na sua representação da mulher contemporânea, na sua linguagem e na forma como ela se relaciona com a tradição poética brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspectos menos conhecidos da vida e obra de Angela Santos podem incluir hábitos de escrita específicos, participações em eventos literários ou detalhes sobre o processo criativo que não são de domínio público.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Como escritora contemporânea, Angela Santos está viva e ativa. A questão da morte e memória, portanto, não se aplica a ela neste momento.

Poemas

257

Amor e Sotaque

Tem um
modo de você saber
aquelas coisas
que as palavras complicam
ao jeito doce que você me ensinou,
com minhas mãos,
meus quadris
minhas coxas,
minha boca,
meu sexo extático
se diluindo no seu
como é fácil dizer: amor.
E nesse cocktail
de línguas e sotaques
coco e pitangas
caipiras  e fado,
negros e brancos
ourixás, samba e axé
Pessoa  e Quintana
Verde vermelho
Azul amarelo.
Nós
no final  misturando ainda
tu com  você.
1 086

Ressonâncias

Subrepticiamente
um tremor se anuncia nas profundezas
lateja nas veias, em cada fibra, em cada músculo
e emerge à terra de ninguém onde me abandonei....

subitamente um rio galga as margens,
vou na corrente indo onde me leva,
não sou de mim, mesmo que me saiba e sinta
nasço de cada maré, em todos os ciclos lunares
e a cada manhã regresso desse lugar
onde sempre irei na senda do que houver perdido....

Carrego, as sombras e a alva, sou o caos que se ordena
a cada instante que respira,
e nenhuma outra voz ecoa nas labirínticas dobras da memória
que não essa que vem de um lugar e tempo inexplicitos.

Sou no eterno retorno onde me descubro e refaço,
E vivo do inaudito
raiz de mim onde asas ganho,
lugar do desatino onde me acerto
a cada erro, a cada dor, a cada passo, a cada rasgo de infinito.

656

Enquanto a tarde

cai...

Ao meu lado,
na placidez da tarde que finda
Num quarto qualquer , de uma qualquer cidade
Dormes, serenamente, esquecida de tudo
(quiça de mim também)....

Fico atenta aos resquícios de claridade
Que não me deixam cair nesse torpor
Que desce até ti, decifro os ruídos
Que invadem o quarto, onde me sinto estrangeira

Não durmo, mergulho nos sinais
Que chegam do lado de fora ...
Neles procuro as coisas pequenas
Que afastam de mim os fantasmas
Que invadem a vigília

Prefiro a vida, os minúsculos
Sinais da vida, a qualquer não
no teu silencio, nas minhas omissões...
salvar a vida nesse gesto inoportuno
de rir até da tristeza que escorre das ausências.

954

Transmutação

Deixo-me
ficar na quietude
que invade o dia
e abandono-me à corrente dos sons
que assomam à flor de mim

No seio do silencio que chega
escuto teus passos,
tua voz , teu rir
tua presença inteira
suavemente me invadindo

Eu não estou só....

Eu não sou apenas eu,
todos os lugares em mim
corpo, memória alma
abrigam os teus sinais,
te amo como respiro

E vivo
ao compasso do meu eu
transfigurado em nós
975

Em Nome do Pai

Todos os
nomes inominável
te colam ao rosto, como se fosses forma,
corpo mesuravel, e tornam-te espelho
de impasses e limites, os nossos,
e chamam-te a grande presença
como se pudesses, sendo-o, caber nos estreitos
domínios onde tolhidos nos movemos

e pedem-te a benção na sagração
da guerra e na miragem de vitórias que a honra
lave, ante os escombros da civilização em ruínas
às mãos da barbárie que o rosto cobre...

saiem por aí nas armaduras espelhantes
ribombando tiradas moralistas
invocando protecções, ondulando bandeiras
que são suas, exibindo os dentes lavados
depois do canibalismo

são pútridos os restos que trazem agarrados
e desfilam pela história dos mortos
que esqueceram ou apagaram como riscos de giz
e discursivos acenam máximas aos vivos
que a memória dos seus mortos são agora ...

Manchados hoje os chãos de Nova York.....

os da Palestina, Hiroshima, Auschwitz e Guernica,
o chão exangue de África, quem lembra ainda?

Marcada a ferro e brasa a terra toda,
em teu nome, inominável, quantas vezes...

a soldo de quem não estás urge que o digas,
que não o sabem os que te dão rosto
os que te armam pra que mates em seu nome
os que se benzem com a mesma mão que esgana
os que erguem obeliscos e esculpem frases póstumas
os que se prostram ante o deus das míseras vitórias.

esses que nada sabem e pouco crêem
na estultícia de razões invocam o deus da inumanidade
e num voo ágil de águias
sobrevoam o espectáculo do mundo como Neros frios
cobrindo a terra com asas de anjo negro
em nome da liberdade que é a deles,
em nome duma pátria que é deles
em nome de um deus que é o deles.

Enquanto isso, apocalípticos sinais
desnudam o ventre imundo
onde germina a besta cega e bruta
em nome do pai!

665

Clave de Sol

Naqueles dias, havia um mágico som de flauta no ar, e só nós os escutávamos,
e era de arpa o som da chuva que nos adormecia
Naqueles
dias, havia sempre sol dentro da gente e nada podia quebrar a beleza dos
momentos de simplesmente estar juntas
Aqueles
dias serão os dias de um amanhã ressurgido, os dias que guardamos no fundo
da memória, os dias tatuados em nossa pele, os dias de saciar nossa sede.

Os nossos dias serão sempre assim:
Plenos, famintos de vida, embebidos da inocente alegria das coisas grandes,
porque simples
1 265

Corpo e Alma

Procuramos
ser corpo de uma outra forma
mas o corpo é feroz e felino,
e vive do toque da presa,
do calor e do sangue que lhe bebe
no corpo que se rasga em oferendas.

O corpo tem leis…

Eu quis ser corpo e alma
para um outro corpo e uma outra alma…
mas só pude ser alma
no tempo possível…

e a alma transfigurada
foi sangue, vísceras, músculo, estertor
pulsão, êxtase
para aquele corpo e aquela alma

e aquele corpo e alma
não pôde ser alma,
no tempo em que só almas transfigurando-se
podíamos ser.

1 064

Alquimia

Das
dobras dos lençóis
me chega a sensação morna
e o som de corpos agitando-se
na noite
onde se mesclam cheiros e suor

corpos que se prendem e entrelaçam
raízes ou heras,
corpos imersos
nas águas fundas de tanto querer,
abandonados à corrente
rumam à foz
onde em explosões no mar dos sentidos
desaguam.

Ser e sentir-me no sentir da amada
que me atravessa inteira,
não sei onde começa o meu sentir
se me sinto nas ondas do corpo que me invade
misteriosa alquimia dos corpos.

Amo o teu corpo
que me leva ao fundo do sentir,
corpo e além do corpo
sou em ti
no reencontro, na descida às profundezas
que nos mistura e devolve
ao centro do nós mesmas.
1 154

Gingle Bells

Gingle
Bells
Segundo dia do mês da celebração
Natividade, a alegria…
mas não se esquece
o que escorre por fora dos dias da festa

Luzes, ruas serpenteadas, tristeza e alegria
olhos de agua rasos, fartura, falta,
miséria, desperdício,descaminhos,
almas vazias e a imensa solidão…
dos que vão sozinhos
pelas avenidas feridas de Neóns

Gingle Bells
nas vitrines, nos corações que comerciam
na imaginação pura e sem enfeites das crianças,
nos olhos de quem vai ao frio
sentir que está longe de tudo
e guarda esbatida, a memória longínqua
de uma noite de Natal.

"We Wish a Merry Christmas"
cantam sorridentes pais-natais
dentro de redomas longe do alcance
de quem não sabe outra língua
e fixa com olhos de espanto
o boneco barbudo articulado
Perdidos, apressados, massificados
não reparamos…
atiramos os dias pela janela
guardando o brilho nos olhos
para a festa marcada nos calendários.

Natal
quotidianamente impresso
em nossas vidas e gestos
diária celebração, era o Natal que eu queria
ter
sem uivos que rompam a nossa surdez
ou ilusórios mundos de luz
sem marcas na agenda que insistem lembrar
que é dia da vida acontecer.

733

Relatividade

O
belo e o vulgar se misturam
e um dia é belo o que não vi,
vulgar o que esgotou em cansaços meu olhar.

Desempoeirando meus olhos, olhei um dia
e o que não via ou parecia vulgar
o vi cheio de uma outra luz
e seus contornos antes inalcançaveis
tinham um não sei que me bordavam a alma.

Aquele objecto o olhei e quis um dia
pelas formas, harmonia e cor,
nada mais que um vulgar biblot
hoje cansa-me o olhar

Neste mesmo lugar, quotidianamente,
olho as coisas que enchem meus dias
olho hoje, e sei ver o que meus olhos
transfigurados, nem eu sei porquê.
não verão amanhã.

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Angela Santos

Doy especiales gracias a la gran artista y escritora Angela Santos por colorear este inconmensurable universo con sus majestuosas palabras. Sus poemas y escritos cristalizan la auténtica luz que ella trasporta en su espíritu. Un enorme abrazo y mi eterno cariño, desde Viena, Miriam M. Vargas