

Bertran de Born
Bertran de Born foi um trovador occitano do século XII, conhecido pela sua poesia e pela sua atividade política. A sua obra reflete a complexidade das relações feudais e a vivacidade da cultura cortês na Provença.
Périgord
1215 Sainte-Trie
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Bertran de Born, senhor de Autafort3, nasceu entre 1140 e 1150 (a data mais específica ainda permanece um debate entre os estudiosos), era primogênito de outro Bertran de Born e de Ermengardis, uma família aparentemente estável em sua nobreza e poder local; além do trovador, seus pais tiveram pelo menos outros dois filhos: Constantine e Itier. Ao que tudo indica, ele passou a suceder seu pai na administração das terras a partir de 1178, casou-se com uma certa Raimonda, com quem teve dois filhos (Bretran e Itier). Em 1181 teria escrito seu primeirosirventes (poema 1) – dentre os textos que chegaram até nós – por encomenda do conde Raimond V de Toulouse, e já nesse poema ele se gaba da fama como poeta bélico e assim o termina (vv. 45-6):
Totz temps vuoill que li aut baro
Sion entre lor irascut
E sempre quero que os barões
Loucos combatam entre si.
Ao comentar o texto, Frank Chambers afirma que tais versos já pertenceriam a um novo subgênero desirventes, voltado para incitar a guerra, e que Bertran de Born seria o inventor (1985, p. 158). No ano seguinte, o poeta teria feito poemas na corte de Henrique II Plantageneta (poemas 8 e 9) e em seguida já tomaria parte numa revolta contra Ricardo Coração-de-Leão (poemas 3), que acabou com a morte de Henrique o Jovem em 1183 e a subsequente tomada de Autafort por Ricardo (poema 17). É interessante, neste contexto, pensar nas palavras de Ezra Pound, numa carta a Felix Schelling: “De Born writes songs to provoke real war, and they were effective. This is very different from Romantic Macaulay-Tennyson praise of past battles” (1970 [1922], p. 90)4. Desse modo, aqui nós vemos o poeta provocar a guerra e suportar as perdas severas da batalha; ou, como poderíamos prever também pelas palavras de Padenet alii (ibid., p. 33) sobre a arte do trovador:The art of Bertran de Born springs from an obsession with conflict and a drive to master conflict. É no meio do conflito que De Born parecia encontrar seu espaço poético e político.
No entanto, aproveitando-se das brigas internas entre o rei Henrique II e seus filhos, Bertran conseguiu reaver sua propriedade por favores de Henrique II (poema 19), dessa vez sem dividi-lo com o irmão Constantine. Enquanto seu irmão teria passado à mendicância e à prática de saltear vilarejos, ele floresceu como único senhor de Autafort, submisso apenas perante o rei da Inglaterra. Sabemos ainda que, em algum momento ao longo da década de 1180 ele se casou com outra mulher, Philippa, e que seus dois filhos do primeiro casamento foram condecorados cavaleiros. Depois, entre 1196 e 1202 converteu-se a monge cistércio, em Dalon5; o que não o impediu de continuar escrevendo sua poesia satírica (poemas 46 e 47), sem que isso gerasse um conflito com a ordem religiosa. Depois disso, permaneceu num silêncio literário até morrer em 1215.
Vendo essa relação entre o contexto político-literário europeu e as peculiaridades da vida de Bertran de Born, se ainda por cima concordarmos com a opinião de Alfred Jeanroy (“peu de poètes de son temps l’ont egalé no seulement par l’intensité de la passion, mais par les qualités purement formelles”, 1934, vol. 2, p. 199), cabe-nos agora apresentar uma tradução que reforce esse caráter poético-amoroso em direção à guerra. Em geral essa representação dos prazeres da guerra, tal como na poesia amorosa, está em primeiro lugar sempre adiada e, portanto, retratada como um desejo de realização por vir, nunca consumada, sua apresentação é quase sempre a de uma ausência lamentável, ou como uma potencialidade ansiada pelo poeta; de modo que o trovador aparece muitas vezes solitário em relação ao seu desejo. Aqui, a meu ver, parece estar um ponto crucial no seu pensamento: o amor é um modo de descrição da guerra, e vice-versa (a guerra é uma metáfora para o amor); o que faz com que sua poesia transite entre esses espaços aparentemente antagônicos sem maior esforço, como se pode notar nos dois poemas que escolhi para a tradução (6 e 30). Tanto o amor quanto a guerra são vistos como exigências de atividade e virtude, ao mesmo tempo em que são sempre adiados pela não realização típica do trovadorismo. Nesse sentido, o grande guerreiro é necessariamente um grande amante (um ponto bem explícito em 30, “O Amor quer bom cavalgador / que ame as armas e o servir”), capaz de realizar seus atos; e assim não nos espanta de Godofredo Palangenta seja criticado no poema 16 como um amante passivo, pouco viril no seu desejo. Paradoxalmente, essa figura heroica, capaz de amar “as armas e o servir” parece não existir no presente de Bertran, mas está sempre adiado, como a própria guerra, como o próprio amor – o herói não está nos tempos passados, nem no presente, mas no desejo desse eu-lírico, que sofre de amor e paz, o que parece explicar porque Bertran tenha se concentrado tanto nosirventes: era o melhor veículo para expressar essa frustração fora do campo amoroso. É dessa forma que os únicos contemporâneos louvados em seus versos são mortos, como Henrique o Jovem e o próprio Godofredo, que em vida foram criticados pelo trovador tal como Ricardo Coração-de-Leão. Na morte, o cavaleiro pode ser verdadeiramente louvado como herói, porque não sofre mais da passividade da paz e do amor não correspondido típico da literatura cortês.
Já no campo formal, Bertran de Born parece ter inserido alguns aspectos no mínimo curiosos. Segundo Chambers (1985, p. 161), ele teria sido o primeiro trovador a reutilizar a mesma melodia e esquema de rimas (e até asmesmas rimas) de outracanso pré-existente, com o intuito de criar um novo efeito; no entanto há ainda um detalhe importantíssimo nesse processo – o poeta não imitava poetas antepassados, mas seus próprios contemporâneos, provavelmente seus conhecidos, com a possibilidade de aumentar o desafio técnico de se utilizar as mesmas palavras em outro contexto, ou de usar até mais palavras com a mesma rima; o que faz com que o poema não seja simples imitação, mas sim um processo de diálogo crítico com o poema alheio. Um outro aspecto importante para alguns dos poemas e que talvez caracterize uma parte da sua peculiaridade poética é aquilo que Augusto de Campos chamou “a ‘barulhidade’ dos versos”, como se pode perceber no poemaUn sirventes cui motz no falh, interiamente escrito com rimas em–alh, -alh, art, -alha, -art, -alha, dando ainda mais força à virulência do ataque satírico dosirventes e ressoando em seus versos. Nesse afastamento do típicamente lírico, Bertran busca refúgio no diálogo com a épica medieval e com osromans, com suas referências a gritos de guerra, cavalos desembestados sem cavaleiros, corpos atravessados por lanças, como se pode ver no poema 30, traduzido abaixo. Aqui, talvez, esteja realmente sua maior contribuição para a lírica provençal:
Bertran de Born distinguishes himself through the exertion of his will as the speaker of his poems; unlike the epic and the other medieval forms to which we have compared it, his art is energized by the poet’s forceful presence, mediating between his perception of reality and his heroic ideal. Unlike the epic poet who sings bindly of the glorious past, Betran speaks as a satirist who engages in continuous self-concious scrutiny of the present. Because of the structuring role of the speaker’s voice, which distinguishes his discourse from that of the epic, it was inevitable that Bertran de Born should employ lyric form (Padenm Sankovitch & Stäblein, 1985, p. 41).
E é, portanto esse caráter de “escrutínio autoconsciente” que permeia toda sua obra que o faz deslizar entre os gêneros lírico-amoroso, satírico e épico, sempre tendendo para o lírico por fazer um uso explícito dessa primeira pessoa identificada ao eu do poeta. Talvez esse atravessamento estilístico é que tenha gerado uma leitura tão direta da sua obra com sua vida (além, é claro, do costume geral da época), sem reparar nas releituras genéricas que eram ali operadas pelo próprio processo compositivo de Bertran de Born. O que seria mais interessante notar é como esse deslizamento genérico pode funcionar para criar uma maior vividez nas descrições bélicas por meio de uma “evocação sensual da guerra” (ibid. p. 38) pela descrição imediata da carnificina pelo olhar singularizado de um eu-lírico bélico. Não é à toa, afinal, que, na esteira dessa leitura biográfica dos poema, uma das imagens literárias mais marcantes sobre o poeta apareça noInferno daCommedia de Dante, quando o encontramos no círculo dos semeadores de discórdia, uma das regiões mais baixas deMalebolge. Vejamos o trecho:
Io vidi certo, e ancor par ch’io ’l veggia,
un busto sanza capoandar sì come
andavan li altri de la trista greggia;
e ’l capo tronco tenea per le chiome,
pesol con mano a guisa dilanterna:
e quel mirava noi e dicea: “Oh me!”.
Di sé facea a sé stesso lucerna,
ed eran due in uno e uno indue;
com’ esser può, quei sa che sì governa.
Quando diritto al piè del ponte fue,
levò ’l braccio alto con tuttala testa
per appressarne le parole sue,
che fuoro: “Or vedi la pena molesta,
tu che, spirando, vai veggendoi morti:
vedi s’alcuna è grande come questa.
E perché tu di me novella porti,
sappi ch’i’ son Bertram dalBornio, quelli
che diedi al re giovane i ma’ conforti.
Io feci il padre e ’l figlio in sé ribelli;
Achitofèl non fé piùd’Absalone
e di Davìd coi malvagi punzelli.
Perch’ io parti’ così giunte persone,
partito porto il mio cerebro,lasso!,
dal suo principio ch’è in questo troncone.
Così s’osserva in me lo contrapasso.”
(Inferno, XXVIII, vv. 118-142)
Um corpo andar eu vi, monstro novel,
sem a cabeça que, na mão, a jeito
levava de lanterna, firme e presa
pelo cabelo, a iluminar o leito
da estrada, como fora luz acesa.
Ainda me parece vê-lo e ouvi-lo
a gritar: “Infeliz que sou!” Surpresa
maravilhosa! Dupla vida aquilo
era e alma dupla e só o poderoso
Deus soube assim guardá-lo em dividi-lo.
Quando chegou sob o arco pedregoso,
ergueu o braço e agitou a testa
para que ouvisse o verbo doloroso.
“Vê tu, me disse, a minha dor molesta!
Tu que andas vivo pelos mortos vales;
vê e dize se há dor grande como esta!
E porque tu de mim no mundo fales,
sabe que sou Bertram de Bornio, o tal
(e peço-te que disto não te cales)
que entre o pai pôs e o filho ódio mortal.
Ao filho de Davi Achitofel
não inspirou um ódio mais fatal.
Porque pessoas caras eu, revel,
separei, separado está de mim
meu detestável cérebro infiel.
A pena do talião eu pago aqui”
(trad. de João Trentino Ziller)
A imaginação de Dante pode parecer dura para um leitor contemporâneo, mas ela está muito próxima do que podemos ver ao compararmos o trecho daCommedia a uma das biografias provençais a respeito do poeta6.
Bertrans de Born si fo us chastelas de l’eveschat de Peiregorc, senher d’un chastel que avia nom Autafort. Totz temps ac guerra ab totz los sieus yezis : ab lo comte de Peiregorc et ab lo vescomte de Lemotges, et ab so fraire Constanti et ab Richart, tan quan fo corns de Peitau. Bos chavaliers fo e bos guerriers e bos domneiaire e bos trobaire e savis e be parlans e saup tractar mals e bes, et era senher totas vetz quan si volia del rei Henric d’Englaterra et del filh de lui. Mas totz temps volia qu’ilh aguessen guerra ensems, lo paire e·l filhs e·lh fraire, l’us ab l’autre, e totz temps vole quel reis de Franza e·l reis d’Englaterra aguessen guerra i ensems. E s’ilh avian patz ni tregua, ades si penava e·s perchassava ab sos sirventes de desfarja patz et de mostrar com chascus era desonratz en la patz ; e si n'ac de grans bes et de grans mals de so qu’el mesclet mal entre lor. E fetz maintz bos sirventes dels quals son gran re aissi escriut, segon que vos podetz vezer et entendre (apud Stimming, 1913, p. 54).
Bertran de Born foi um castelão do bispado de Perigord, senhor de um castelo cujo nome era Autafort. A todo instante estava em guerra com todos os senhores vizinhos, com o conde de Perigord e com o visconde de Limousin e com seu irmão Constantine e com Ricardo [Coração-de-Leão], que então era conde de Poitiers. Foi bom cavaleiro e bom guerreiro e bom sedutor e bom trovador, culto e bom na fala e sabia se portar no mal e no bem; e, sempre que assim o queria, era senhor do rei Henrique II da Inglaterra e de seu filho. Mas a todo instante queria que travassem guerra entre si, o pai contra os filhos e os irmãos, um contra o outro, e a todo instante quis que o rei da França e o rei da Inglaterra travassem guerra entre si. E se acaso obtivessem paz ou trégua, então se exercitava nos seussirventes para desfazer a paz e mostrar como cada um deles se desonrava com a paz; assim teve grandes bens e grandes males porque mesclava o mal entre os outros. E fez muitos belossirventes, cuja maior parte está escrita, de modo que vós os podeis ver e escutar (tradução minha).
Para além da biografia, temos também a iconografia que muitas vezes acompanhava asvidas, e logo se percebe como Bertran de Born é praticamente o único trovador representado como cavaleiro, armado sobre o cavalo7:
Nesse ponto, pareço estar retornando ao meu ponto de partida, ao perceber como a visão sobre sua vida estava confundida pela radicalidade da sua poesia. Ora, não cabe a mim, e provavelmente a nenhum de nós, escavar com minúcia detalhes da vida e da subjetividade do sujeito Bertran de Born, mas apenas tentar desvincular um pouco essa suposta sobreposição entre literatura e vida. Vimos, afinal, que tanto os biógrafos quanto Dante e posteriormente, Longfellow e outros estudiosos até o início do século passado, criam piamente nessa figura feroz e viam na sua reclusão um possível arrependimento pelos pecados. A mim, como à maioria dos estudiosos contemporâneos, parece mais interessante perceber como sua poesia se construía dentro daqueles novos modos da cavalaria e da poesia trovadoresca, passando de um ponto contextual e histórico para outro ponto histórico-literário, para conseguirmos entender de que modo essa poesia em grande parte satírica bebia nas formas da poesia amorosa o seu amor à guerra.
É aí que entra o projeto tradutório como ferramenta crítica, na medida mesmo em que é capaz de explicitar modos de leitura pela escolha tradutória. Não apenas a escolha decomo traduzir um determinado poeta, mas também doque traduzir desse determinado poeta, quando não há pretensão de uma tradução completa. Nesse caso, optei por traduzir dois poemas: um poema amoroso que acaba caminhando inevitavelmente para a temática bélica, por comparações ousadas; e outro que se inicia na temática bélica para terminar num símile amoroso. Nos dois casos, podemos notar como Bertran de Born faz seu amor à guerra ao pé da letra, pelo recurso genérico da poesia amorosa de seu tempo, refundado no código de cavalaria exaltado da segunda metade do século XII, num movimento de vai e volta entre o erótico, o satírico e o bélico, ou épico da escrita.
Para a tradução, consultei o impressionante trabalho de Paden, Sankovitch e Stäblein (1986), que consta de uma edição crítica de todos os 47 poemas que nos chegaram (4 outros estão excluídos, por serem vistos como composicões do filho de Bertran de Born), numa distribuição cronológica distribuída entre 1181 e 1198, com suas respectivas apresentações, traduções, comentários e aparato crítico, além de algumas notações musicais e um vocabulário provençal completo. Vez por outra, consultei também as duas edições alemãs de Albert Stimming e suas notas (1879 e 1913) e uma tradução poética para o inglês feita por James H. Donaldson que se encontra na internet. Além disso, conforme o comentário de Chambers (1985), tentei manter o máximo possível o lado virtuosístico, porém conservador, da metrificação de Bertran, numa poesia brasileira sem grandes estranhamentos rítmicos.
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