Everson Francisco da Hora Silva

Everson Francisco da Hora Silva

Desvelando sentimentos ocultos em palavras existentes.

2004-02-08 BAHIA
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Alguns Poemas

Poema Sobre a Natureza Ancestral

Oh! Natureza, és bela, és forte, és vida,

Para mim, és beleza, para os animais, és morada;

Para as plantas, és lugar, para o vento, és repouso

De Deus, sois criação, aos povos originários, contemplação, és cultura

No ano és estações: inverno, primavera, verão, outono;

Tu és paz, tu és mãe, tu és reconstrução. 

Aos filósofos foi espanto, princípio de investigação;

A mim, és encanto e passagem para a ressurreição, 

Na religião, és “casa comum”, cosmo da “ecologia integral”,

Na arte, és imagem, na música melodia, na física és realidade

Na ciência, és exploração, na química, elementos

Para alguns, és pura, para outros, és ambição.

Aos ricos, és destruição, desmatamento, apropriação 

Aos pobres, és alimento, fartura e descanso

No Nordeste, és Mata, Cerrado, Caatinga, és Atlântica  

És agreste, és sertão, és chapada, és gruta, és também explorada

És calor, mormaço, és amor, ao povo que sofre nas mãos dos charlatões.

No Norte, és Amazônia, maternidade ancestral, és biodiversidade

És pulmão dos continentes, ecossistemas, tropical e úmida

És florestas, várzeas, savanas, és rios, lagos e igarapés

És minerada, és adoentada pelo homem esclerocardico 

Mesmo assim, és Amazônia, és Negro e Solimões.

No Sudeste, és plantação, és serra e litoral 

No Centro-Oeste, és Pantanal; triste que és exportação 

No Sul, és subtropical, és fria, és planaltos, depressões e planícies 

Mas tu mesmo és natura, curso das coisas, és o próprio universo

Tu és essencial para toda existência dos seres vivos, tu és geradora,

És contemporânea, já fora moderna, medieval e antiga,

Mas sempre foi e sempre será ancestral. 


Everson Francisco da Hora Silva 

Olhar Desperto

Ao som estrangeiro dentro do aeroporto, observo os aviões que vão e vêm,
ansioso também por partir, uma vez que aqui cheguei.

Encontro-me sentado, solitário, como um desconhecido. 
Ao meu redor, estrangeiros presos a seus aparelhos eletrônicos. 
Casais que não se tocam, famílias que não se olham. Todos voltados ao artificial.

Assim também estava eu. Mas resolvi escrever — e, então, contemplei a liberdade. 
Os pensamentos vieram, uma sensação esperançosa emergiu, e o poema, mais uma vez,
germinou: sementes potentes que prometem frutos.

Enquanto todos olham para um lugar — ou melhor, para um objeto — eu olho para todos. 
Tento imaginar suas vidas, em suas expressões, seus sonhos e cansaços. 
Poucos são os que demonstram alegria.

As crianças correm. Os bebês se impressionam com o imenso. E os adultos... ah, os adultos. 
São aquilo que a sociedade faz deles — ou aquilo que fazem da sociedade. 
Mas, acima de tudo, são adultos.

E eu ainda aqui, na ânsia de chegar em casa e encontrar o meu lar — 
não qualquer lar, mas o meu Lar.

O pouco que até aqui escrevi parece disperso, como se eu me perdesse na escrita.
Mas escrevo para confirmar o quão grandioso é ser um escritor, 
enquanto muitos vivem apenas de clique em clique.

Alguns ainda me olham com estranheza, como se pensassem:
— O que ele está fazendo?

E eu?
— Apenas escrevendo.

Talvez o papel e o lápis tenham se tornado coisas de séculos passados, 
enquanto o mais atual seja um cárcere móvel, 
onde palavras já não despertam sentimentos, 
a presença já não é valorizada e a saudade se transforma em solidão.

O amor vira distração —
e o ser humano, uma invenção.

Everson Francisco da Hora Silva 

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