

Everson Francisco da Hora Silva
Desvelando sentimentos ocultos em palavras existentes.
Olhar Desperto
Ao som estrangeiro dentro do aeroporto, observo os aviões que vão e vêm,
ansioso também por partir, uma vez que aqui cheguei.
Encontro-me sentado, solitário, como um desconhecido.
Ao meu redor, estrangeiros presos a seus aparelhos eletrônicos.
Casais que não se tocam, famílias que não se olham. Todos voltados ao artificial.
Assim também estava eu. Mas resolvi escrever — e, então, contemplei a liberdade.
Os pensamentos vieram, uma sensação esperançosa emergiu, e o poema, mais uma vez,
germinou: sementes potentes que prometem frutos.
Enquanto todos olham para um lugar — ou melhor, para um objeto — eu olho para todos.
Tento imaginar suas vidas, em suas expressões, seus sonhos e cansaços.
Poucos são os que demonstram alegria.
As crianças correm. Os bebês se impressionam com o imenso. E os adultos... ah, os adultos.
São aquilo que a sociedade faz deles — ou aquilo que fazem da sociedade.
Mas, acima de tudo, são adultos.
E eu ainda aqui, na ânsia de chegar em casa e encontrar o meu lar —
não qualquer lar, mas o meu Lar.
O pouco que até aqui escrevi parece disperso, como se eu me perdesse na escrita.
Mas escrevo para confirmar o quão grandioso é ser um escritor,
enquanto muitos vivem apenas de clique em clique.
Alguns ainda me olham com estranheza, como se pensassem:
— O que ele está fazendo?
E eu?
— Apenas escrevendo.
Talvez o papel e o lápis tenham se tornado coisas de séculos passados,
enquanto o mais atual seja um cárcere móvel,
onde palavras já não despertam sentimentos,
a presença já não é valorizada e a saudade se transforma em solidão.
O amor vira distração —
e o ser humano, uma invenção.
Everson Francisco da Hora Silva
Escritas.org