Everson Francisco da Hora Silva

Everson Francisco da Hora Silva

Desvelando sentimentos ocultos em palavras existentes.

2004-02-08 BAHIA
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Olhar Desperto

Ao som estrangeiro dentro do aeroporto, observo os aviões que vão e vêm,
ansioso também por partir, uma vez que aqui cheguei.

Encontro-me sentado, solitário, como um desconhecido. 
Ao meu redor, estrangeiros presos a seus aparelhos eletrônicos. 
Casais que não se tocam, famílias que não se olham. Todos voltados ao artificial.

Assim também estava eu. Mas resolvi escrever — e, então, contemplei a liberdade. 
Os pensamentos vieram, uma sensação esperançosa emergiu, e o poema, mais uma vez,
germinou: sementes potentes que prometem frutos.

Enquanto todos olham para um lugar — ou melhor, para um objeto — eu olho para todos. 
Tento imaginar suas vidas, em suas expressões, seus sonhos e cansaços. 
Poucos são os que demonstram alegria.

As crianças correm. Os bebês se impressionam com o imenso. E os adultos... ah, os adultos. 
São aquilo que a sociedade faz deles — ou aquilo que fazem da sociedade. 
Mas, acima de tudo, são adultos.

E eu ainda aqui, na ânsia de chegar em casa e encontrar o meu lar — 
não qualquer lar, mas o meu Lar.

O pouco que até aqui escrevi parece disperso, como se eu me perdesse na escrita.
Mas escrevo para confirmar o quão grandioso é ser um escritor, 
enquanto muitos vivem apenas de clique em clique.

Alguns ainda me olham com estranheza, como se pensassem:
— O que ele está fazendo?

E eu?
— Apenas escrevendo.

Talvez o papel e o lápis tenham se tornado coisas de séculos passados, 
enquanto o mais atual seja um cárcere móvel, 
onde palavras já não despertam sentimentos, 
a presença já não é valorizada e a saudade se transforma em solidão.

O amor vira distração —
e o ser humano, uma invenção.

Everson Francisco da Hora Silva 

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