MENDIGO
Velho de olhar triste, pobre e vagabundo
Tens
por companheira a miséria dominante
Viajante
de alma e mendigo neste mundo
Que
em delírio beijas o pó, murmurante.
Onde
os dias e as noites passam sem ter pressa
Onde
nada é diferente e tudo te parece igual
Até
o dormir, no canto escuro de qualquer travessa
No
chão de pedra enganas o frio num leito de jornal.
Mora
próximo a demência, que cultiva esse fadário
Nessa
alma adormecida, em que a sorte é a morte
Que
num ato de amor, termina esse Calvário.
Poemas
escritos de luto, marcados por almas sem amor
Inspirados
na desgraça, foram buscar a poesia ao teu sangue
De
trajos negros te veneram, declamando um verso à tua dor
.
João Murty
Escritas.org