

A poesia de JRUnder
Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.
A poesia não é um potro selvagem que possa ser laçado e domado.
Poesia é alma. Alma de passarinho.
Uma flor qualquer
Jazia em um vaso sobre um pedestal de cerâmica no corredor de uma estação do metrô.
Não era linda ou perfeita. Suas cores e contornos pouco chamavam a atenção dos que passavam. Estava lá havia anos.
As pessoas passavam, viam, tocavam e a esqueciam em seguida. Não era o tipo de flor que marcava sua existência.
Era uma flor qualquer.
Poderia ser de papel, ou de cera. Talvez tecido ou mesmo plástico. Quem sabe?
Mas seria apenas isso, não tinha alma, apenas corpo.
Um dia, a flor amanheceu exalando um aroma envolvente, suave, fascinante...
As pessoas agora paravam ao sentir esse perfume. Aspiravam deliciadas e começaram a se interessar em saber que flor era aquela, onde encontrar, como cuidar?
Queriam possui-la também. O aroma trouxe alma e a flor e a fez notada e querida...
E assim somos na vida. Flores. Inodoras ou perfumadas. Perfume é caráter, é interesse real, é dedicação, é respeito, é amor. Não importa quanto tempo dure uma flor, mas a saudade que deixar vai sempre nos lembrar de seu perfume...
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