
Gaspara Stampa
Gaspara Stampa foi uma poeta italiana do Renascimento, celebrada pela intensidade e originalidade da sua obra lírica, que a coloca entre as vozes femininas mais importantes da poesia italiana. A sua produção poética é predominantemente dedicada ao amor, explorando as suas diversas facetas com paixão, melancolia e erotismo. A sua obra, recuperada e publicada postumamente, revela uma sensibilidade apurada e uma mestria formal notável, influenciando gerações posteriores de poetas. Stampa é reconhecida pela sua coragem em expressar os sentimentos femininos de forma tão aberta e honesta num período dominado por convenções sociais rígidas.
1523-01-01 Pádua
1554-04-23 Veneza
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No dia
No dia em que no ventre concebido
Foi meu senhor, viu-se dos céus eleito
Para que fosse entre os mortais perfeito
E de virtudes mil ficasse ungido,
Saturno junto aos sábios fê-lo aceito
E jove, dos mais nobres preferido;
Marte na liça o fez mais aguerrido
E Febode elegância encheu-lhe o peito.
Beleza deu-lhe Vênus, e eloqüente
O fez Mercúrio; mas a Lua, ao vê-lo,
Frieza ao coração deu de presente.
Cada qual desses dons mais forte apelo
Faz à chama que em mim crepita ardente;
Menos aquele só, que o fez de gelo.
Foi meu senhor, viu-se dos céus eleito
Para que fosse entre os mortais perfeito
E de virtudes mil ficasse ungido,
Saturno junto aos sábios fê-lo aceito
E jove, dos mais nobres preferido;
Marte na liça o fez mais aguerrido
E Febode elegância encheu-lhe o peito.
Beleza deu-lhe Vênus, e eloqüente
O fez Mercúrio; mas a Lua, ao vê-lo,
Frieza ao coração deu de presente.
Cada qual desses dons mais forte apelo
Faz à chama que em mim crepita ardente;
Menos aquele só, que o fez de gelo.
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