

Manuel Alegre
Manuel Alegre é uma figura proeminente da literatura portuguesa contemporânea, conhecido pela sua poesia engajada, lírica e profundamente humana. A sua obra é marcada por uma forte ligação à história recente de Portugal, em particular ao período da ditadura e à luta pela liberdade. Com um estilo que conjuga a força da palavra com a subtileza do sentimento, Alegre explora temas como a identidade, a memória, a justiça e a esperança. A sua poesia, de grande alcance popular e reconhecimento crítico, é um testemunho da sua passagem pela vida política e pela vivência dos ideais de democracia e de intervenção cívica.
1936-05-12 Águeda
162777
2
71
Coisa amar
Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.
Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.
Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi
desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.
Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.
Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi
desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.
13315
4
Escritas.org