Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos foi um poeta brasileiro, considerado um dos maiores vultos da poesia em língua portuguesa. Sua obra é marcada por um profundo pessimismo, temas como a morte, a decomposição e o materialismo científico. Utilizou uma linguagem rigorosa e um vocabulário erudito, muitas vezes associado à ciência de sua época, o que lhe conferiu um estilo singular e inovador para o seu tempo. Apesar de ter publicado um único livro em vida, "Eu", sua influência na poesia brasileira é inegável, antecipando muitas das preocupações e experimentações que marcariam o modernismo.

1884-04-20 Sapé
1914-11-12 Leopoldina
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Ricordanza della mia gioventú

A minha ama de leite Guilhermina
Furtava as moedas que o doutor me dava.
Sinhá-Mocinha, minha Mãe, ralhava...
Via naquilo a minha própria ruína!

Minha ama, então, hipócrita, afetava
Suscetibilidades de menina:
"- Não, não fora ela! -" E maldizia a sua sina,
Que ela absolutamente não furtava.

Vejo, entretanto, agora em minha cama,
Que a mim somente cabe o furto feito...
Tu só furtaste a moeda, o oiro que brilha...

Furtaste a moeda só, mas eu, minha ama,
Eu furtei mais, porque furtei o peito
Que dava leite para a tua filha!

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