Francisca Júlia

Francisca Júlia

Francisca Júlia da Silva era uma poetisa brasileira que se destacou na segunda metade do século XIX, sendo considerada uma das poucas vozes femininas a alcançar reconhecimento em um período dominado por homens. Sua obra, marcada pelo lirismo e pela temática amorosa, contribuiu para a renovação da poesia parnasiana, introduzindo um tom mais pessoal e sentimental.

1871-08-31 Eldorado
1920-11-01 São Paulo
103554
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Ângelus

A Filinto D'Almeida


Desmaia a tarde. Além, pouco e pouco, no poente,
O sol, rei fatigado, em seu leito adormece:
Uma ave canta, ao longe; o ar pesado estremece
Do Ângelus ao soluço agoniado e plangente.

Salmos cheios de dor, impregnados de prece,
Sobem da terra ao céu numa ascensão ardente.
E enquanto o vento chora e o crepúsculo desce,
A ave-maria vai cantando, tristemente.

Nest'hora, muita vez, em que fala a saudade
Pela boca da noite e pelo som que passa,
Lausperene de amor cuja mágoa me invade,

Quisera ser o som, ser a noite, ébria e douda
De trevas, o silêncio, esta nuvem que esvoaça,
Ou fundir-me na luz e desfazer-me toda.


Publicado no livro Esfinges: versos (1903).

In: JÚLIA, Francisca. Poesias. Introd. e notas Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1961. p. 113-114
5822
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