Artur de Azevedo

Artur de Azevedo

Considerado um dos vultos maiores do teatro português, Artur de Azevedo destacou-se como dramaturgo, encenador e empresário. A sua vasta obra, que inclui comédias, farsas e dramas, retrata com sagacidade e humor a sociedade lisboeta do seu tempo, explorando os costumes, as intrigas e as idiossincrasias da burguesia. Foi um pioneiro na modernização do teatro em Portugal, introduzindo novas técnicas de encenação e promovendo a renovação do repertório.

1855-07-07 São Luís
1908-10-22 Rio de Janeiro
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Arrufos

Não há no mundo quem amantes visse
Que se quisessem como nos queremos;
Mas hoje uma questiúncula tivemos
Por um caprichosinho, uma tolice.

— Acabemos com isto! ela me disse,
E eu respondi-lhe assim: — Pois acabemos!
— E fiz o que se faz em tais extremos:
Peguei no meu chapéu com fanfarrice,

E, dando um gesto de desdém profundo,
Saí cantarolando. Está bem visto
Que a forma ali contradizia o fundo.

Ela escreveu. Voltei. Nem Jesus Cristo,
Nem minha Mãe, voltando agora ao mundo,
Foram capazes de acabar com isto!


In: AZEVEDO, Artur. Rimas. Recolhidas dos jornais, revistas e outras publicações por Xavier Pinheiro. Pref. Alexandre Cataldo. Rio de Janeiro: Cia Indl. Americana, 1909
1803
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