Alberto da Costa e Silva

Alberto da Costa e Silva

Alberto da Costa e Silva foi um proeminente poeta, diplomata e ensaísta brasileiro, reconhecido pela sua vasta obra que celebra a cultura africana e a sua influência na formação do Brasil. A sua poesia é marcada pelo lirismo, pela musicalidade e por uma profunda reflexão sobre temas como a identidade, a história, a ancestralidade e a beleza. Distinguiu-se pela sua erudição e pela sua capacidade de tornar acessíveis as complexidades da herança africana, defendendo a importância do diálogo intercultural e do reconhecimento da diversidade.

1931-05-12 São Paulo
2023-11-26 Rio de Janeiro
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Elegia, outubro de 1950

Sofrer esta infância, esta morte, este início.
As cousas não param. Elas fluem, inquietas,
como velhos rios soluçantes. As flores
que apenas sonhamos em frutos se tornaram.
Sazonar, eis o destino. Porém, não esquecer
a promessa de flores nas sementes dos frutos,
o rosto de teu pai na face do teu filho,
as ondas que voltam sobre as mesmas praias,
noivas desconhecidas a cada novo encontro.
As cousas fluem, não param. As folhas nascem,
as folhas tombam longe, em longínquos jardins.
Em silêncio, vives a infância de teus olhos
e, morto, és tão puro que te tornas menino.


Publicado no livro O parque e outros poemas (1953).

In: SILVA, Alberto da Costa e. As linhas da mão. Pref. Antônio Carlos Villaça. Rio de Janeiro: Difel; Brasília: INL, 1978. p.2
1887
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