Frei Francisco de São Carlos

Frei Francisco de São Carlos foi um religioso e poeta português, cuja obra se insere no período barroco, caracterizado pela complexidade formal e pela profunda religiosidade. Sua poesia reflete a espiritualidade da época, com uma linguagem elaborada e um tom frequentemente devocional. Sua produção literária, embora possa não ter alcançado a mesma notoriedade de outros contemporâneos, contribui para o panorama da poesia religiosa portuguesa, evidenciando a persistência de temas como a fé, a penitência e a busca pela transcendência em um contexto de intensas transformações sociais e culturais.

1763-01-01 Rio de Janeiro
1829-01-01 Rio de Janeiro
18660
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Canto III [Pelas margens do lago, em passo lento

(...)
Pelas margens do lago, em passo lento,
Procura a nívea garça o seu sustento.
Geme a casta rolinha lá da inculta
Brenha, quando o calor do Sol avulta.
Curvada com seu peso, sobre a espiga
Já loira do arrozal, a doce intriga
Modula o coleirinho, e lá do ramo
Da aroeira responde o gaturamo.
(...)
O pequeno colibri, esta ave rara;
Troféu na pequenez da Mão, que a ornara,
Ostenta o peito d'oiro; e esvoaçando
Com susurro, e tremor, ainda libando
O néctar, e dulcíssimos sabores,
Que encerra o cálix das melífluas flores.
(...)


Publicado no livro A Assunção (1819).

In: SÃO CARLOS, Frei Francisco de. A Assunção: poema composto em honra da Santa Virgem, por Frei Francisco de São Carlos, franciscano reformado da província da Conceição do Brasil e natural do Rio de Janeiro. Pref. Fernandes Pinheiro. Rio de Janeiro: Livr. de B. L. Garnier, 1862. p.77-7
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