

Amadeu Amaral
Amadeu Amaral foi um poeta, dramaturgo e crítico literário português, figura proeminente do grupo Orpheu e do movimento modernista em Portugal. A sua obra poética é marcada pela inovação formal, pela exploração de temas urbanos e pela busca de uma linguagem mais livre e expressiva. Como crítico e teórico, Amaral desempenhou um papel crucial na definição e divulgação das estéticas modernistas, defendendo a renovação da literatura portuguesa face às tradições anteriores.
1875-11-06 Capivari
1929-10-24 São Paulo
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Tapera
Numa curva da estrada, onde a luz reverbera
num tanque entre ervaçais, aparece uma casa.
Pombas voejam no oitão, sobre a cumeeira rasa.
Tudo ali tem um ar de quem convida, e espera.
Sigo. Chego ao pomar: o capim prolifera;
a guaxima no juá bravo, alta e rija, se casa.
Silêncio. E, no silêncio, o som mole de uma asa
e o fremente chiar da cigarra. É a tapera.
Bato à porta. Ninguém. Olho por uma fresta:
tudo escuro; e no escuro, a descer do telhado,
longas fitas de sol. Nada mais ali resta.
A velha casa morre. Apenas, sobre as lombas
do teto a desabar caminham sem cuidado,
nos pequeninos pés, turturinando, as pombas.
Publicado no livro Espumas: versos (1917).
In: Poesias completas. São Paulo: HUCITEC: Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado, 1977. p.170. (Obras de Amadeu Amaral
num tanque entre ervaçais, aparece uma casa.
Pombas voejam no oitão, sobre a cumeeira rasa.
Tudo ali tem um ar de quem convida, e espera.
Sigo. Chego ao pomar: o capim prolifera;
a guaxima no juá bravo, alta e rija, se casa.
Silêncio. E, no silêncio, o som mole de uma asa
e o fremente chiar da cigarra. É a tapera.
Bato à porta. Ninguém. Olho por uma fresta:
tudo escuro; e no escuro, a descer do telhado,
longas fitas de sol. Nada mais ali resta.
A velha casa morre. Apenas, sobre as lombas
do teto a desabar caminham sem cuidado,
nos pequeninos pés, turturinando, as pombas.
Publicado no livro Espumas: versos (1917).
In: Poesias completas. São Paulo: HUCITEC: Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado, 1977. p.170. (Obras de Amadeu Amaral
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