

Moacyr Felix
Moacyr Felix foi um poeta, dramaturgo e crítico literário brasileiro, associado ao modernismo. Sua obra é marcada por uma linguagem vigorosa e coloquial, explorando temas do cotidiano, da crítica social e da cultura popular brasileira. Felix também se dedicou ao teatro e à crítica literária, contribuindo para a difusão e análise da literatura de seu tempo.
1926-03-11 Rio de Janeiro
2005-10-25 Roma
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Por Que Não Concluir?
A Affonso Romano de Sant'Anna
e Marina Colasanti
Esquerda, direita, esquerda, direita:
assim militares e políticos marcham
sob suas bandeiras partidárias
e em seus discursos de guerra.
Telematicamente a história ri
nos minicomputadores. E movimenta
o rascunho de uma outra face para
o mundo de homens não mais divididos
em direita, esquerda e centro.
Os jornais amanhecem velhos
ao lado das garrafas do leite
misturado a coisas sujas.
Em frente da TV cada um é
o sentimento impreciso e vago
de que é preciso mudar tudo,
é preciso mudar radicalmente
o Poder e os seus cogumelos
de erros e de medo sobre a face
dos dias e das noites
em que nos matam aos poucos.
Ou do meio minuto em que a morte será
subitamente global.
Comemos mentira, meu filho, em cada prato servido
pelos dogmáticos e pelos fanáticos, esses cozinheiros
da vida podre e sem grandezas, da vida como um lixo
oferecido aos ratos nos porões da alma.
Publicado no livro Em Nome da Vida (1981).
In: FÉLIX, Moacyr. Antologia poética. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1993. p.23
e Marina Colasanti
Esquerda, direita, esquerda, direita:
assim militares e políticos marcham
sob suas bandeiras partidárias
e em seus discursos de guerra.
Telematicamente a história ri
nos minicomputadores. E movimenta
o rascunho de uma outra face para
o mundo de homens não mais divididos
em direita, esquerda e centro.
Os jornais amanhecem velhos
ao lado das garrafas do leite
misturado a coisas sujas.
Em frente da TV cada um é
o sentimento impreciso e vago
de que é preciso mudar tudo,
é preciso mudar radicalmente
o Poder e os seus cogumelos
de erros e de medo sobre a face
dos dias e das noites
em que nos matam aos poucos.
Ou do meio minuto em que a morte será
subitamente global.
Comemos mentira, meu filho, em cada prato servido
pelos dogmáticos e pelos fanáticos, esses cozinheiros
da vida podre e sem grandezas, da vida como um lixo
oferecido aos ratos nos porões da alma.
Publicado no livro Em Nome da Vida (1981).
In: FÉLIX, Moacyr. Antologia poética. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1993. p.23
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