Colombina

Colombina

Colombina foi uma figura singular no cenário literário brasileiro, atuando como poeta, escritora e performer. Sua obra é caracterizada pela experimentação, pela transgressão de normas sociais e estéticas, e por uma forte carga de subjetividade e crítica social. Associada a movimentos de vanguarda, Colombina buscou romper com as convenções, explorando novas formas de expressão que incluíam a performance e a intervenção artística. Sua poesia é um reflexo de sua busca por autenticidade e de sua contestação ao status quo.

1882-05-26 São Paulo
1963-03-14 São Paulo
19416
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A Carne

Exiges. És ciumenta e egoísta. Não admites
qualquer rivalidade, ou que algo te suplante.
És forte e audaz no teu domínio sem limites,
capaz de transformar a vida, num instante.

És mísera e brutal. Mas nada obsta que agites
e açambarques o mundo! E que essa alucinante
e estranha sensação, que aos humanos transmites,
tenha, como nenhuma, um halo deslumbrante.

Ó carne que possuis no teu imo maldito
mais lodo que contém um charco pantanoso,
mais esplendor também que os astros do Infinito!

Rugindo de volúpia e de sensualidade,
espalhando na terra apoteoses de gozo,
ó carne, serás tu, a única verdade?


Publicado no livro Distância: poemas de amor e de renúncia (1948). Poema integrante da série Luzes na Neblina.

In: CAVALHEIRO, Maria Thereza. Colombina e sua poesia romântica e erótica: esboço biográfico e seleção de poemas. São Paulo: J. Scortecci, 1987. p.33-10
1373
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