Tomás Antônio Gonzaga

Tomás Antônio Gonzaga

Tomás Antônio Gonzaga (Porto, 11 de agosto de 1744 – Moçambique, 4 de abril de 1810 ou 1812) foi um poeta e jurista luso-brasileiro. É autor de "Marília de Dirceu", uma das obras mais importantes da poesia arcádica brasileira.

1744-08-11 Porto, Portugal
1810 Ilha de Moçambique, Moçambique
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Lira XXIII

Não praguejes, Marília, não praguejes
a justiceira mão que lança os ferros;
não traz debalde a vingadora espada;
deve punir os erros.

Virtudes de Juiz, virtudes de homem
as mãos se deram e em seu peito moram.
Manda prender ao Réu, austera a boca,
porém seus olhos choram.

Se à inocência denigre a vil calúnia,
que culpa aquele tem, que aplica a pena?
Não é o Julgador, é o processo
e a lei, quem nos condena.

Só no Averno os Juízes não recebem
acusação nem prova de outro humano;
aqui todos confessam suas culpas,
não pode haver engano.

(...)


Publicado no livro Marília de Dirceu: Segunda Parte (1799).

In: GONZAGA, Tomás Antônio. Obras completas. Ed. crít. M. Rodrigues Lapa. São Paulo: Ed. Nacional, 1942. (Livros do Brasil, 5
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