

António Ramos de Almeida
António Ramos de Almeida foi um poeta português cuja obra se insere no panorama literário do século XX. A sua poesia é marcada por uma profunda reflexão sobre a condição humana, explorando temas como a efemeridade do tempo, a busca por sentido e a complexidade das relações interpessoais. Almeida destacou-se pela sua capacidade de aliar uma linguagem cuidada a uma expressividade emocional intensa, conquistando um lugar particular na poesia contemporânea portuguesa. O seu percurso literário, embora talvez menos divulgado em comparação com outros nomes da sua geração, revela um olhar atento sobre o mundo e sobre a alma humana. A sua obra convida à contemplação e à introspecção, oferecendo ao leitor uma experiência estética e intelectualmente enriquecedora. A sua contribuição para a poesia portuguesa reside na originalidade do seu discurso lírico e na sua capacidade de tocar o leitor com a universalidade das suas preocupações.
Saudade
- Voz na distância feita saudade!
Que fina brisa vem de longe e corta
As muralhas da minha saudade!
Vejo-te ausente e fitas-me absorta
Pensas talvez que o teu menino há-de
Andar ao frio. E lá pela noite morta
Cuidas ouvir a voz da tempestade
E vens, pé ante pé, leve, palpando
Aconchegar a roupa, enternecida,
Saber se o teu filhinho dorme bem ...
Santa velhinha que me estás fitando,
Aquém da morte e mesmo além da vida
Tu serás sempre, sempre, a minha mãe.
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