

Albano Dias Martins
Albano Dias Martins foi um poeta português cujo trabalho se insere num contexto de poesia mais tradicional, com um foco na exploração de temas como a natureza, a espiritualidade e os sentimentos humanos. A sua obra é marcada por uma linguagem cuidada e uma sensibilidade lírica que o distingue. Ao longo da sua carreira, Martins deixou um registo poético que reflete uma profunda observação do mundo e das emoções, consolidando-se como uma voz autêntica na literatura portuguesa, embora talvez menos proeminente que outros contemporâneos. O seu estilo caracteriza-se pela contenção expressiva e pela busca de uma beleza formal, onde a musicalidade do verso e a escolha precisa do vocabulário contribuem para a força das suas composições.
1930-08-06 Fundão
2018-06-06 Vila Nova de Gaia
37071
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Alegoria
Segunda
De poetas
e filósofos tu sabes,
sabes também por ti. Por isso eu digo :
esta pedra é vermelha, esta pedra é sangue.
Toca-lhe : saberás
como em segredo florescem as acácias
ao redor dos muros, como fluem
suas concêntricas artérias. Acaricia-as : tocas
a parte mais sensível de ti mesmo.
Dizias ontem
que o verão ardia
nesta pedra. Nela
queimavas tuas mãos. Onde
as aqueces hoje? Eu digo :
o verão não morreu, esta pedra é o verão.
E tudo permanece.
E tudo é teu.
Tu és o sangue, o verão e a pedra.
in:Paralelo
Ao Vento(1979)
De poetas
e filósofos tu sabes,
sabes também por ti. Por isso eu digo :
esta pedra é vermelha, esta pedra é sangue.
Toca-lhe : saberás
como em segredo florescem as acácias
ao redor dos muros, como fluem
suas concêntricas artérias. Acaricia-as : tocas
a parte mais sensível de ti mesmo.
Dizias ontem
que o verão ardia
nesta pedra. Nela
queimavas tuas mãos. Onde
as aqueces hoje? Eu digo :
o verão não morreu, esta pedra é o verão.
E tudo permanece.
E tudo é teu.
Tu és o sangue, o verão e a pedra.
in:Paralelo
Ao Vento(1979)
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