

António Botto
António Botto foi um poeta português que marcou a sua época pela ousadia temática e pela abordagem direta da sensualidade e do amor, incluindo o amor homossexual, num período conservador. A sua poesia, embora por vezes controversa, revelou uma sensibilidade lírica apurada e um desejo de liberdade de expressão. Botto é uma figura importante na história da literatura portuguesa pela sua coragem em abordar temas tabu e pela sua contribuição para a modernização da poesia.
1897-08-17 Concavada
1959-03-04 Rio de Janeiro
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Beijemo-nos, apenas
Não. Beijemo-nos, apenas,
Nesta agonia da tarde.
Guarda
Para um momento melhor
Teu viril corpo trigueiro.
O meu desejo não arde;
E a convivência contigo
Modificou-me - sou outro...
A névoa da noite cai.
Já mal distingo a cor fulva
Dosa teus cabelos - És lindo!
A morte,
devia ser
Uma vaga fantasia!
Dá-me o teu braço: - não ponhas
Esse desmaio na voz.
Sim, beijemo-nos apenas,
Que mais precisamos nós?
Nesta agonia da tarde.
Guarda
Para um momento melhor
Teu viril corpo trigueiro.
O meu desejo não arde;
E a convivência contigo
Modificou-me - sou outro...
A névoa da noite cai.
Já mal distingo a cor fulva
Dosa teus cabelos - És lindo!
A morte,
devia ser
Uma vaga fantasia!
Dá-me o teu braço: - não ponhas
Esse desmaio na voz.
Sim, beijemo-nos apenas,
Que mais precisamos nós?
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