
Gilson Nascimento
Gilson Nascimento é um nome que ressoa na poesia brasileira, conhecido por sua sensibilidade e pela forma como explora as nuances da existência humana. Sua obra se caracteriza por uma profunda reflexão sobre a vida, a morte, o tempo e a condição humana, expressa através de uma linguagem que mescla lirismo e um olhar crítico sobre o mundo. Com uma trajetória marcada pela busca constante de expressar a complexidade dos sentimentos e das experiências, Gilson Nascimento consolidou-se como uma voz importante na poesia contemporânea, dialogando com tradições literárias e, ao mesmo tempo, propondo novas abordagens estéticas e temáticas.
1986-12-17 São Paulo
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Dé e a bruxa
Tinha uma boneca rota, esfarrapada
A que com os dedos imprimia vida
Dava riso de graça à meninada
E tornou-se pessoa mui querida
No fundo de minhalma está guardada
A lembrança dos dois, que é incontida
Vejo a boneca, cara amarfanhada
Junto ao peito do dono, adormecida
O tempo – vil ladrão – tudo nos leva
Deixa, contudo, nalma de reserva
Algo que à infância roubou o coração
Dé e a bruxa, mortos, eu contemplo
Sem esquecer jamais o seu exemplo
Trazer com um trapo alegria à solidão
A que com os dedos imprimia vida
Dava riso de graça à meninada
E tornou-se pessoa mui querida
No fundo de minhalma está guardada
A lembrança dos dois, que é incontida
Vejo a boneca, cara amarfanhada
Junto ao peito do dono, adormecida
O tempo – vil ladrão – tudo nos leva
Deixa, contudo, nalma de reserva
Algo que à infância roubou o coração
Dé e a bruxa, mortos, eu contemplo
Sem esquecer jamais o seu exemplo
Trazer com um trapo alegria à solidão
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