Pablo Neruda

Pablo Neruda

Pablo Neruda foi um dos mais proeminentes poetas do século XX, laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1971. A sua obra abrange desde o lirismo amoroso e melancólico da juventude até à poesia social e política engajada, refletindo as suas experiências de vida como diplomata, ativista e exilado. A sua escrita é marcada por uma linguagem rica, imagética exuberante e uma profunda conexão com a natureza, o povo e as causas humanitárias. Neruda é celebrado pela sua capacidade de expressar tanto a intimidade do ser quanto a amplitude dos grandes temas universais, tornando-se um dos poetas de maior alcance popular e reconhecimento internacional.

1904-07-12 Parral
1973-09-23 Santiago
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Tenho marcado com cruzes de fogo
o atlas branco de teu corpo.
Minha boca era uma aranha que cruzava escondendo-se.
Em ti, atrás de ti, temerosa, sedenta.
Histórias de se contar à beira do crepúsculo,
boneca triste e doce,para que não ficasses triste.
Um cisne, uma árvore, algo distante e alegre.
O tempo das uvas, o tempo maduro e frugal.
Eu que vivi em um porto de onde te amava.
A solitude cruzada de sono e silêncio.
Encurralado entre o mar e a tristeza.
Calado, delirante, entre dois gondoleiros imóveis.

Entre os lábios e a voz, algo vai morrendo.
Algo com asas de pássaro, algo de angústia e de olvido.
Assim como as redes não retêm a água.
Minha boneca, restam apenas gotas tremendo.
Entretanto, algo canta entre estas palavras fugazes.
Algo canta, algo sobe à minha boca ávida.
Ó, poder celebrar-te com todas as palavras de alegria.
Cantar, arder, fugir, como um campanário das mãos de um louco.
Minha triste ternura, que fazes de repente?
Ao atingir o vértice mais ousado e frio
meu coração se cerra como uma flor noturna.
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