
Gilson Nascimento
Gilson Nascimento é um nome que ressoa na poesia brasileira, conhecido por sua sensibilidade e pela forma como explora as nuances da existência humana. Sua obra se caracteriza por uma profunda reflexão sobre a vida, a morte, o tempo e a condição humana, expressa através de uma linguagem que mescla lirismo e um olhar crítico sobre o mundo. Com uma trajetória marcada pela busca constante de expressar a complexidade dos sentimentos e das experiências, Gilson Nascimento consolidou-se como uma voz importante na poesia contemporânea, dialogando com tradições literárias e, ao mesmo tempo, propondo novas abordagens estéticas e temáticas.
1986-12-17 São Paulo
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Rosa imortal
Minha mãe, pálida e fria
Mudez no gesto, na fala
Minha mãe que já não reza
Minha mãe de olhar apagado
De mãos álgida, inúteis
Não acenam.
Não abençoam.
Riso sem cor – desbotado
Palavra inerte – não soa
Lábios murchos – não se abrem
Flores que o vento da morte
Despetalando, esboroa
Mãe partindo às horas mortas
Do porto alvo da aurora
Nos braços da madrugada
Sem despedida, sem laivo
De beijo, de abraço ou riso.
Mãe – flor que não emurchece
Não cresta, não perde o brilh
Rosa orvalhada de prece
No jardim da alma do filho.
Mudez no gesto, na fala
Minha mãe que já não reza
Minha mãe de olhar apagado
De mãos álgida, inúteis
Não acenam.
Não abençoam.
Riso sem cor – desbotado
Palavra inerte – não soa
Lábios murchos – não se abrem
Flores que o vento da morte
Despetalando, esboroa
Mãe partindo às horas mortas
Do porto alvo da aurora
Nos braços da madrugada
Sem despedida, sem laivo
De beijo, de abraço ou riso.
Mãe – flor que não emurchece
Não cresta, não perde o brilh
Rosa orvalhada de prece
No jardim da alma do filho.
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