Murillo Mendes

Murillo Mendes

Murilo Mendes foi um dos poetas mais originais e influentes da literatura brasileira do século XX. Sua obra é marcada pela fusão do sagrado e do profano, do erudito e do popular, do humor e da melancolia. Percorreu diversas fases estilísticas, desde o lirismo inicial até experimentações vanguardistas. Sua poesia é um convite à contemplação do mistério da existência, à celebração da beleza e à reflexão sobre a fé, o amor e o tempo, tudo isso com uma linguagem inventiva e surpreendente.

1901-05-13 Juiz de Fora
1975-08-14 Lisboa
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A Cadeira Elétrica

Uma noite – talvez avisem no jornal –
Apertarei um botão no rochedo de carne,
O mar jorrará assim, aos borbotões,
Das minhas veias onde desliza modesto e manso, sem fazer barulho.
Alguém oferecerá o socorro das padiolas
Da terra vermelha, talvez não atenderei.
Várias figueiras murcharão de inveja,
Os clarins das vitrolas anunciarão inutilmente
Que estou morre não morre, ninguém escutará.
As árvores – noivas que eu nunca amei dia nenhum
Torcerão a cabeleira, as filhas do relâmpago
Virão me buscar – o noivo está chegando –,
Mas eu preferia que num canto anônimo do mundo
Alguma menina meiga e pensativa
Desfolhasse um malmequer em minha intenção.
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