
Araripe Coutinho
Araripe Coutinho é um poeta cuja obra se insere no contexto da poesia portuguesa contemporânea. A sua escrita explora a condição humana, a efemeridade do tempo e a busca por sentido num mundo em constante mudança. Através de uma linguagem cuidada e de uma forte carga imagética, Coutinho constrói versos que ressoam pela sua profundidade e pela capacidade de evocar emoções universais. A sua poesia reflete uma sensibilidade apurada para as nuances da existência, abordando temas como a memória, a saudade e a transcendência. A influência de tradições literárias diversas manifesta-se na sua capacidade de aliar a forma clássica à experimentação, criando uma voz poética singular e marcante.
1848-06-27 Fortaleza
1911-10-29 Rio de Janeiro
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O Amor Jaz
O amor jaz no cacto do jardim
e cada espinho exposto à luz do corpo
é um pedaço morto de cada um de nós
o corpo é feito de taças
- cheias e vazias -
vitrais de luas engolindo a noite
pousando gozos nas sombras das ruas,
Além das veias todo amor é sangue
sangue de um sorvete de solidão amarga
assim morrendo
assim tão suave inflama
dentro da alma
além da madrugada.
Rendidos já não buscamos a enseada
o sorvete que falo
vem das almas
das almas das mulheres nunca amadas
que sempre pelas taças
vertem lágrimas
e bebem gotas de amores mortos.
e cada espinho exposto à luz do corpo
é um pedaço morto de cada um de nós
o corpo é feito de taças
- cheias e vazias -
vitrais de luas engolindo a noite
pousando gozos nas sombras das ruas,
Além das veias todo amor é sangue
sangue de um sorvete de solidão amarga
assim morrendo
assim tão suave inflama
dentro da alma
além da madrugada.
Rendidos já não buscamos a enseada
o sorvete que falo
vem das almas
das almas das mulheres nunca amadas
que sempre pelas taças
vertem lágrimas
e bebem gotas de amores mortos.
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