Teresa de Ávila

Santa Teresa de Jesus, nascida Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada, foi uma freira carmelita, mística e escritora espanhola, considerada uma das mais importantes figuras da Contrarreforma. Dedicou a sua vida à reforma da Ordem do Carmelo, fundando numerosos conventos por toda a Espanha. As suas obras espirituais, como "O Livro da Vida" e "O Castelo Interior", são marcos da literatura mística, descrevendo as suas experiências de oração e união com Deus com uma clareza e profundidade notáveis. A sua escrita é caracterizada pela autenticidade, pela linguagem direta e pela profunda vivência religiosa. Teresa de Ávila é venerada como santa pela Igreja Católica e é Doutora da Igreja, um título concedido a teólogos e místicos cujos escritos são considerados de grande importância para a doutrina e a espiritualidade cristã.

1515-03-28 Ávila
1582-10-15 Mosteiro da Anunciação de Nossa Senhora das Carmelitas Descalças de Alba de Tormes
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Vivo sem viver em mim

Vivo sem viver em mim
e tão alta vida espero,
que morro por não morrer.
Vivo já fora de mim,
depois que morro de amor,
porque vivo no Senhor,
que me quis só para si.
Meu coração lhe ofereci
pondo nele este dizer:
Que morro por não morrer.
Esta divina prisão
do amor em que hoje vivo,
tornou Deus o meu cativo
e livre meu coração.
E causa em mim tal paixão
Deus meu prisioneiro ver,
que morro por não morrer.
Ai, que longa é esta vida!,
que duros estes desterros!,
esta prisão, estes ferros
em que a alma está metida!
Só esperar a saída
causa em mim tanto sofrer,
que morro por não morrer.
Ai, que vida tão amarga,
sem se gozar o Senhor!,
porque, se é doce o amor,
não é a esperança larga.
Tire-me Deus esta carga,
pesada a mais não poder,
que morro por não morrer.
Somente com a confiança
vivo de que hei-de morrer,
porque, morrendo, o viver
me assegura minha esp’rança.
Oh morte que a vida alcança,
não tardes em me aparecer,
que morro por não morrer.
Olha que o amor é forte:
vida não sejas molesta;
pra ganhar-te só te resta
perder-te sem que me importe.
Venha já a doce morte,
Venha já ela a correr,
que morro por não morrer.
A vida no alto cativa,
que é a vida verdadeira,
até que esta não nos queira,
não se goza estando viva.
Não me sejas, morte, esquiva;
só pla morte hei-de viver,
que morro por não morrer.
Como, vida, presenteá-lo,
o meu Deus que vive em mim,
se não perdendo-te a ti,
pra melhor poder gozá-lo?
Quero, morrendo, alcançá-lo,
pois só dele é meu querer:
que morro por não morrer.
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Ênio Azevedo Fontenele
Nunca vi um poema mais lindo na minha vida! Estou extasiado!

Já não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim. Viver pra mim é Cristo, morrer pra mim é lucro.
22/outubro/2021

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