António Ferreira

António Ferreira

António Ferreira foi um poeta e dramaturgo português da Renascença, considerado uma das figuras centrais do Classicismo em Portugal. A sua obra, marcada pela erudição e pelo rigor formal, procurou imitar os modelos greco-latinos, introduzindo no país novas formas poéticas e temáticas. Foi um pioneiro na escrita de tragédias de cunho clássico em língua portuguesa, explorando temas mitológicos e históricos com uma linguagem elevada e um profundo sentido estético. O seu legado é fundamental para a consolidação do cânone literário português.

1528-01-01 Lisboa
1569-11-29 Lisboa
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É a medo que escrevo

É a medo que escrevo. A medo penso,
A medo sofro e empreendo e calo.
A medo peso os termos quando falo.
A medo me renego, me convenço.
A medo amo. A medo me pertenço.
A medo repouso no intervalo
De outros medos. A medo é que resvalo
O corpo escrutador, inquieto, tenso.
A medo durmo. A medo acordo. A medo
Invento. A medo passo, a medo fico.
A medo meço o pobre, meço o rico.
A medo guardo confissão, segredo,
Dúvida, fé. A medo. A medo tudo.
Que já me querem cego, surdo e mudo.
José Cutileiro, poeta português, nascido em 1931.
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