

Manuel António Pina
Manuel António Pina foi um poeta, escritor, dramaturgo e ensaísta português, figura proeminente da literatura contemporânea. Sua obra, caracterizada pela simplicidade aparente, profundidade filosófica e um olhar aguçado sobre a condição humana, explora temas como a infância, a memória, a linguagem e a transcendência. Reconhecido pela sua originalidade e pela sua capacidade de reinventar a forma poética, Pina deixou um legado significativo, marcado pela reflexão sobre a existência e a arte de escrever.
1943-11-18 Sabugal
2012-10-19 Porto
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Esplanada
Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,
agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.
O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,
agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.
O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.
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