

António Feliciano de Castilho
António Feliciano de Castilho foi um influente escritor, poeta e tradutor português, figura proeminente do século XIX. Conhecido pela sua vasta produção literária e pela sua defesa do tradicionalismo e do classicismo, Castilho desempenhou um papel central na vida cultural portuguesa, tanto pela sua obra original quanto pelas suas polémicas intervenções, nomeadamente na questão da ortografia e na sua rivalidade com o Romantismo. Sua obra abrange poesia, prosa, crítica literária e tradução, destacando-se pela musicalidade, pelo rigor formal e pela inspiração em modelos clássicos e renascentistas. Apesar de ter sido uma figura controversa, especialmente na sua oposição ao Romantismo, Castilho deixou um legado duradouro na literatura portuguesa, sendo estudado e debatido até aos dias de hoje.
Os Sonhos
Recordas-te, ingrata,
Quando eu te dizia,
Que em sonhos Armia
Cedia aos meus ais?
Sorrias, coravas,
Fugias, juravas
Que nunca os meus sonhos
Seriam leais.
Armia, esta noite,
Segundo o costume,
Tomei co meu nume,
Tomei a sonhar.
Qual és, eras rosa,
Gentil, espinhosa,
Sem par nos rigores,
Nas graças sem par.
Dou graças ao fado,
Já sonho esquivança;
Já luz esperança
No meu coração.
Tu juras que em sonhos
Só há falsidades,
E nunca deidades
Juraram em vão.
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