Carlos Queirós

Carlos Queirós

Carlos Queirós é um poeta e escritor português, cuja obra se caracteriza por uma abordagem multifacetada da realidade, combinando lirismo com uma aguda observação social e existencial. A sua poesia explora frequentemente as complexidades das relações humanas, a efemeridade do tempo e a busca por significado num mundo em constante transformação. Com uma linguagem depurada e um olhar atento aos detalhes do quotidiano, Queirós consegue construir universos poéticos que ressoam com a experiência do leitor. A sua escrita é marcada pela capacidade de transitar entre a melancolia e a esperança, o íntimo e o coletivo, firmando-se como uma voz singular na poesia contemporânea de língua portuguesa.

1907-04-05 Lisboa
1949-10-27 Paris
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Apelo à Poesia

Por que vieste? — Não chamei por ti!
Era tão natural o que eu pensava,
(Nem triste, nem alegre, de maneira
Que pudesse sentir a tua falta... )
E tu vieste,
Como se fosses necessária!

Poesia! nunca mais venhas assim:
Pé ante pé, covardemente oculta
Nas idéias mais simples,
Nos mais ingênuos sentimentos:
Um sorriso, um olhar, uma lembrança...
— Não sejas como o Amor!

É verdade que vens, como se fosses
Uma parte de mim que vive longe,
Presa ao meu coração
Por um elo invisível;
Mas não regresses mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Saudade!

De súbito, arrebatas-me, através
De zonas espectrais, de ignotos climas;
E, quando desço à vida, já não sei
Onde era o meu lugar...
Poesia! nunca mais venhas assim,
— Não sejas como a Loucura!

Embora a dor me fira, de tal modo
Que só as tuas mãos saibam curar-me,
Ou ninguém, se não tu, possa entender
O meu contentamento,
Não venhas nunca mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Morte!

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