David Mestre

David Mestre é um poeta cuja obra se destaca pela exploração de temas como a identidade, a memória e a relação do indivíduo com o espaço urbano e a sua própria interioridade. A sua poesia é frequentemente caracterizada por uma linguagem cuidada, por vezes fragmentada, que procura capturar a complexidade das sensações e das experiências humanas no contexto contemporâneo. O uso de imagens fortes e de um ritmo que pode ser tanto cadenciado como abrupto, reflete uma profunda sensibilidade para com as nuances da vida moderna. O seu percurso literário, embora possa não ser amplamente divulgado em termos de datas e locais específicos, aponta para um autor atento às correntes estéticas atuais e à capacidade da poesia de questionar a realidade e a perceção. A sua obra contribui para a reflexão sobre a nossa existência num mundo em constante transformação, deixando um legado de questionamento e de beleza lírica.

Loures
1998 Almada
9243
1
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Que outro nome

Que rio se pode
abrir na língua acesa
para o capim crepitando
baixo. Que palavra
por ele nasce

e corre corre a lua
e outra lua sem que regresse
ao corpo. Que outro nome
te demos
vestida e no escuro desposada.

Liberdade.

Que tempo de
ocultar o nome sabíamos
perder e nem

de moscardo zumbias: Ngola

nosso pouco maruvo eras
no terreiro anunciada.

Liberdade.

Quem das copas pronuncia
os teus lábios na terra? Nzambi
neles tivesse
mordiscado leve.

Liberdade.

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