
João Cabral do Nascimento
João Cabral do Nascimento, mais conhecido como João Cabral de Melo Neto, foi um poeta brasileiro de grande relevância, considerado um dos mais importantes da literatura lusófona do século XX. A sua poesia caracteriza-se pela objetividade, pelo rigor formal e pela exploração de temas sociais e existenciais. Com uma obra marcada pela clareza e pela precisão da linguagem, Cabral de Melo Neto abordou frequentemente a paisagem nordestina, a vida do homem simples e a complexidade da condição humana. O seu estilo inconfundível e a sua visão crítica do mundo consolidaram-no como um dos grandes nomes da poesia brasileira, com um legado duradouro e influente.
Funchal
1978 Lisboa
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Natal Africano
Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz... Mas é Natal.
Que ar abafado! A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.
Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.
Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz... Mas é Natal.
Que ar abafado! A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.
Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.
Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.
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