

João Soares Coelho
João Soares Coelho foi um poeta português do século XVII, autor de uma obra notável pela sua religiosidade e pela sua vertente moralizante. A sua poesia, inserida no contexto do Barroco português, reflete uma profunda preocupação com a transitoriedade da vida e a busca pela salvação divina. Embora não seja tão amplamente conhecido como outros poetas da sua época, Coelho deixou um legado significativo pela sua expressão lírica e pelo seu misticismo.
Cinfães
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Noutro Dia, Quando M'eu Espedi
Noutro dia, quando m'eu espedi
de mia senhor, e quando mi houv'a ir,
e me nom falou, nem me quis oir,
tam sem ventura foi que nom morri!
Que, se mil vezes podesse morrer,
mẽor coita me fora de sofrer!
U lh'eu dixi: "Com graça, mia senhor!"
catou-me um pouc'e teve-mi em desdém;
e porque me nom disse mal nem bem,
fiquei coitad'e com tam gram pavor,
que, se mil vezes podesse morrer,
mẽor coita me fora de sofrer!
E sei mui bem, u me dela quitei
e m'end'eu fui e nom me quis falar,
ca, pois ali nom morri com pesar,
nunca jamais com pesar morrerei.
Que, se mil vezes podesse morrer,
mẽor coita me fora de sofrer!
de mia senhor, e quando mi houv'a ir,
e me nom falou, nem me quis oir,
tam sem ventura foi que nom morri!
Que, se mil vezes podesse morrer,
mẽor coita me fora de sofrer!
U lh'eu dixi: "Com graça, mia senhor!"
catou-me um pouc'e teve-mi em desdém;
e porque me nom disse mal nem bem,
fiquei coitad'e com tam gram pavor,
que, se mil vezes podesse morrer,
mẽor coita me fora de sofrer!
E sei mui bem, u me dela quitei
e m'end'eu fui e nom me quis falar,
ca, pois ali nom morri com pesar,
nunca jamais com pesar morrerei.
Que, se mil vezes podesse morrer,
mẽor coita me fora de sofrer!
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