

Martim Soares
Martim Soares foi um trovador medieval galego-português, ativo no século XIII. A sua obra, inserida na tradição da lírica galego-portuguesa, reflete os costumes e a mentalidade da nobreza da época. As suas cantigas, embora escassas em número, são representativas do cancioneiro trovadoresco, abordando temas como o amor cortês e a sátira social com a mestria característica dos poetas da sua corte.
Portugal
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Ua Donzela Jaz [Preto D]Aqui
Ũa donzela jaz [preto d]aqui,
que foi ogano um adeam servir
e nom lhi soube da terra sair;
e a dona cavalgou e colheu [i]
Dom Caralhot'enas mãaos; e tem,
pois lo há preso, ca está mui bem,
e nom quer del as mã[a]os abrir.
E pois a dona Caralhote viu
antre sas mã[a]os, houv'en gram sabor
e diz: - Est'é o falso treedor
que m'ogano desonrou e feriu,
praz-me com el, pero trégoa lhi dei
que o nom mate; mais trosquiá-l'-ei
come quem trosquia falso treedor.
A boa dona, molher mui leal,
pois que Caralhote houv'em seu poder,
mui bem soube o que del[e] fazer:
e meteu-o log'em um cárcel atal,
u muitos presos jouverom assaz;
e nunca d'i, tam fort'e preso jaz,
[tem] como saia, meos de morrer.
que foi ogano um adeam servir
e nom lhi soube da terra sair;
e a dona cavalgou e colheu [i]
Dom Caralhot'enas mãaos; e tem,
pois lo há preso, ca está mui bem,
e nom quer del as mã[a]os abrir.
E pois a dona Caralhote viu
antre sas mã[a]os, houv'en gram sabor
e diz: - Est'é o falso treedor
que m'ogano desonrou e feriu,
praz-me com el, pero trégoa lhi dei
que o nom mate; mais trosquiá-l'-ei
come quem trosquia falso treedor.
A boa dona, molher mui leal,
pois que Caralhote houv'em seu poder,
mui bem soube o que del[e] fazer:
e meteu-o log'em um cárcel atal,
u muitos presos jouverom assaz;
e nunca d'i, tam fort'e preso jaz,
[tem] como saia, meos de morrer.
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