

António de Carvalhal Esmeraldo
António de Carvalhal Esmeraldo foi um poeta e dramaturgo cuja obra se manifestou num período de transição literária em Portugal. As suas composições poéticas, muitas vezes marcadas por um forte sentido de observação social e por uma expressão lírica pessoal, refletem as preocupações e os valores da sua época. Esmeraldo deixou um contributo relevante para a literatura, particularmente no que diz respeito à representação de temas do quotidiano e à exploração da condição humana.
1662-01-01 Ilha da Madeira
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Pois me contento
Pois me contento só de idolatrar-te,
Oh, Belisa, permite o querer-te,
Ou que não chegue ao menos a ofender-te,
Pois que em nada hei podido contentar-te.
De que podes por ora recear-te?
E que posso eu fazer com pretender-te?
Temes que venha acaso a merecer-te;
Porque insisto penoso em venerar-te?
Mas o muito que peno não me engana,
Nada espero; bem que por ti padeço,
Pois certamente em nada eras humana.
Não tem para alcançar-te as penas peço,
Que como eras em tudo soberana,
Desvario é cuidar que te mereço.
Oh, Belisa, permite o querer-te,
Ou que não chegue ao menos a ofender-te,
Pois que em nada hei podido contentar-te.
De que podes por ora recear-te?
E que posso eu fazer com pretender-te?
Temes que venha acaso a merecer-te;
Porque insisto penoso em venerar-te?
Mas o muito que peno não me engana,
Nada espero; bem que por ti padeço,
Pois certamente em nada eras humana.
Não tem para alcançar-te as penas peço,
Que como eras em tudo soberana,
Desvario é cuidar que te mereço.
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