
Gabriel Archanjo de Mendonça
Gabriel Archanjo de Mendonça foi um poeta e escritor cuja obra se insere no contexto literário do século XX em Portugal. A sua produção poética, embora por vezes menos divulgada em comparação com outros nomes da sua época, revela uma sensibilidade particular para a observação do quotidiano, a reflexão sobre a passagem do tempo e as complexidades das relações humanas. Com uma linguagem que oscila entre o lirismo e uma certa crueza observacional, Mendonça procurou capturar a essência da experiência humana, com as suas alegrias, angústias e interrogações. A sua obra, marcada por uma voz autoral genuína, convida à introspeção e a uma reavaliação da perceção sobre a vida e a sociedade.
Salvador, Brasil
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Fastio
Mais noites hão de vir
que as que se foram?
Os braços rejeitados
aguardam
o desmoronamento protelado.
A angústia do nada
não logra vencer a ampulheta.
As portas não são ainda
o assomo do consumado.
que as que se foram?
Os braços rejeitados
aguardam
o desmoronamento protelado.
A angústia do nada
não logra vencer a ampulheta.
As portas não são ainda
o assomo do consumado.
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