João Gulart de Souza Gomos

João Gulart de Souza Gomos foi um poeta cuja obra se caracteriza pela profundidade reflexiva e pela exploração de temas universais como a existência, o tempo e a busca de sentido. A sua poesia distingue-se pela clareza de expressão, pela capacidade de evocar imagens poderosas e pela melodia intrínseca dos seus versos. Gomos deixou um legado poético que, embora talvez menos divulgado que outros contemporâneos, ressoa pela sua sinceridade e pela força das suas meditações sobre a condição humana.

Almodôvar, Portugal
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algaravia

o que se sabe de mim
é que roubo palavras ao vento
roubo horas ao tempo
e imagens à película:
sou um ladrão de cutículas
redentor de movimentos
coleciono momentos
em pequeninas partículas;
assalto estórias perdidas
e o que não sei, invento —
quixote e moinhos de vento
habitam-me alternados

caminheiro de atalhos
ignoro as desditas
e é o que basta dizer:
que componho versos sem métrica
e desconheço estilos
falo do que não entendo
e calo o que não consinto
aborreço o meu dia
e alimento a gaveta
de papéis escrevinhados
de outra tanta algaravia
que nos despe de encantos
e reclama melodia
noutro tempo, outro canto
e outro tanto se cria
ao falar velhas palavras

tédio... é meio-dia
quando os ponteiros se encontram
e príncipes desencantam
de coaxos já cansados
por beijos de lindas donzelas
... mas isto é já outro caso
(também de amor, mas sonhado)
que não nos compete falar.

tédio... é meia-noite
e lobisomens se encantam
de uivos agoniados
por pragas e maldições;
e a lua vai se deitar
em leitos de outros ladrões

Goulart Gomes, Salvador, BA

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