Karl Kraus

Karl Kraus

Karl Kraus foi um escritor, jornalista e poeta austríaco, amplamente considerado uma das figuras literárias mais importantes do século XX em língua alemã. Fundou e editou a revista Der Fackel (O Tocha), que publicou por mais de trinta anos, onde escreveu a maioria dos seus escritos satíricos e críticos. Era conhecido pela sua feroz oposição ao nazismo, ao militarismo e à decadência da imprensa, utilizando a sátira e a ironia como suas principais armas.

1874-04-28 Jičín
1936-06-12 Viena
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Uma velha crença de idiotas concede ao “satirista” o direito de fustigar as fraquezas do forte. Só que a fraqueza mais fraca do forte ainda é mais forte do que a força mais forte do fraco, e por isso o satirista que se encontra no topo dessa concepção é um sujeito sórdido, e o fato de ser tolerado, um verdadeiro estigma da sociedade. Foi da necessidade infame da sociedade de tratar as personalidades como seus iguais e, por meio da sua degradação ao próprio nível, se tranquilizar acerca de sua baixeza, que surgiram os jornais humorísticos. Todas as carecas brilham porque Bismarck não tinha mais do que três fios de cabelo. Essa maldade enfadonha, a partir da qual o jornal humorístico acode à necessidade de vingança da sociedade, é por ela chamada de “inofensiva”. Porém ela abomina o homem positivo que destroça um mundo sem deuses. Não suspeita que o satirista seja alguém que apenas fustiga as fraquezas dos fracos e não vê as dos fortes porque elas não existem, e se existissem, as cobriria respeitosamente. Para as pessoas, a sátira é algo que alguém pode exercer como um segundo emprego, por exemplo, quando é oficial publicamente e possui humor em segredo. Mais autêntico, por certo, é praticar a sátira publicamente e ser um guerreiro em segredo. Pois, na verdade, a sátira só é compatível com uma função, a do homem, e ela até parece realmente exigi-la. O fato de o satirista ser um homem já é provado tão-só pela impertinência satírica da qual ele próprio precisa se defender. Pois o satirista não tolera brincadeiras. Mas se ele matar o inseto que tem em mira suas “fraquezas”, todos se espantam e perguntam por que afinal, e dizem que alguém que é ele próprio satirista também deveria tolerar que um outro — e assim por diante in infinitum da banalidade humana.

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