
Moniz Bandeira
Manuel Bandeira foi um dos mais importantes poetas brasileiros, figura central do Modernismo. Sua obra é marcada por uma profunda sensibilidade lírica, pela exploração do cotidiano, da infância, da morte e da solidão, e por uma linguagem aparentemente simples que, no entanto, revela grande profundidade e rigor estético. Bandeira é celebrado por sua capacidade de encontrar a poesia nos aspetos mais banais da vida, transformando o prosaico em sublime. Sua poesia, que evoluiu do parnasianismo para o verso livre modernista, é um marco na literatura em língua portuguesa pela sua autenticidade e pela universalidade de seus temas.
1935-01-01 Salvador
2017-11-10 Heidelberg
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O Poeta de Hoje
O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
À dor dos séculos os mortos despertaram.
Incendeiam-se mares, florestas e montanhas,
e marcha pela madrugada o exército dos sem rostos.
O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
Traz no peito a angústia das máquinas.
Travam-lhe a garganta baionetas sem lua.
Rompe nas suas mãos um sol feito de sangue
e os cavalos da fome puxam o carro da aurora.
O poeta hoje não cantará nem símbolos.
À dor dos séculos os mortos despertaram.
Incendeiam-se mares, florestas e montanhas,
e marcha pela madrugada o exército dos sem rostos.
O poeta hoje não cantará heróis nem símbolos.
Traz no peito a angústia das máquinas.
Travam-lhe a garganta baionetas sem lua.
Rompe nas suas mãos um sol feito de sangue
e os cavalos da fome puxam o carro da aurora.
O poeta hoje não cantará nem símbolos.
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