
Roberto Pontes
Roberto Pontes foi um poeta e professor português, cuja obra se destacou pela sensibilidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a morte e a condição humana. A sua escrita, marcada por uma linguagem cuidada e uma profunda reflexão existencial, estabeleceu-o como uma voz relevante na poesia contemporânea de língua portuguesa. O seu legado reside na capacidade de tocar o leitor através da beleza formal e da intensidade emocional dos seus versos.
1944-01-01 Fortaleza
45606
0
5
Olhe a Poça
Há quem olhe a poça e veja a lua
Numa noite de intenso tremedal
Nela viaja a sede acre, insaciável
Do homem que trabalha, mas não vive
Daquele que não sabe já quem é
A sede é de tudo e de justiça
E o sedento não vê flores no caminho
A não ser nos canteiros do futuro
Mas como o advir não lhe pertence
Sendo a certeza um fruto de amanhã
Pisar na poça talvez não lhe pareça
Senão mero obstáculo a vencer
Um passo a mais do corpo que carrega
E enquanto a vida for seus dias de alugado
O seu suor, o seu sangue, o excremento
Para ele todo o céu será cinzento
Ter nascido foi ganhar uma sentença
Vai o homem, pisa a poça na calçada
E há quem olhe a mesma poça e veja a lua
Numa noite de intenso tremedal
Nela viaja a sede acre, insaciável
Do homem que trabalha, mas não vive
Daquele que não sabe já quem é
A sede é de tudo e de justiça
E o sedento não vê flores no caminho
A não ser nos canteiros do futuro
Mas como o advir não lhe pertence
Sendo a certeza um fruto de amanhã
Pisar na poça talvez não lhe pareça
Senão mero obstáculo a vencer
Um passo a mais do corpo que carrega
E enquanto a vida for seus dias de alugado
O seu suor, o seu sangue, o excremento
Para ele todo o céu será cinzento
Ter nascido foi ganhar uma sentença
Vai o homem, pisa a poça na calçada
E há quem olhe a mesma poça e veja a lua
912
0
Mais como isto
Ver também
Escritas.org