Tomas Tranströmer

Tomas Tranströmer

1932-04-15 Stockholm
2015-03-26 Stockholm
18707
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Prémios e Movimentos

Nobel 2011

Alguns Poemas

Vermeer

Não é um mundo seguro. O ruído começa ali,
do outro lado da parede
onde está a estalagem
com risos e refregas, rixas de dentes, lágrimas,
o seu retinir de sinos
e o cunhado insano, o assassino, que faz com
que na sua presença todos sintam temor.

A grande explosão e o tropel do resgate que chega atrasado
os barcos exibindo-se nos canais, o dinheiro correndo
para o bolso do homem malvado
ultimatos atrás de ultimatos
flores encarnadas abertas ressoando premonições de guerra. 

E exactamente dali através da parede
para o estúdio de luz
e os segundos a quem autorizaram viver séculos.
Quadros com nomes próprios “A Lição de Música”
ou “Mulher de Azul Lendo uma Carta”.
Está grávida de oito meses, dois corações que batem dentro dela.
Na parede atrás vê-se um mapa enrugado da Terra Incognita.

Respira apenas. Um material azul que se desconhece está pregado às cadeiras.
Os rebites de ouro voaram com incrível rapidez
e pousaram ali abruptamente
como se não fossem outra coisa senão silêncio.

Os ouvidos zumbem, talvez do abismo talvez do cume.
É a pressão do outro lado da parede
A pressão que faz flutuar os factos
e firmar o pincel. 

Atravessar as paredes faz sofrer, faz adoecer
mas não temos outra escolha.
O mundo é um. Mas as paredes ….
As paredes são parte de ti –
Ou se sabe ou não se sabe embora seja assim para todos
excepto para as crianças. Para elas não há paredes.

O céu limpo tomou o seu lugar e encostou-se à parede.
É como uma prece ao vazio.
E o vazio volta o seu rosto para nós
E murmura
“Não sou vazio, sou aberto”.

Prelúdios

1
Recuo diante de uma coisa que se arrasta de lado pela
tempestade de neve.
Fragmento do que está para vir.
Uma parede esboroando-se. Uma coisa sem olhos. Rija.
Um rosto de dentes.
Uma parede solitária. Ou é uma casa que ali está
embora a não consiga ver?
O futuro … um exército de casas vazias
tacteando o caminho pela neve que cai. 

2
Duas verdades aproximam-se uma da outra. Uma vem de dentro,
outra de fora,
e onde se encontram é possível ter um indício
de nós.

O homem que vê o que está para acontecer grita desvairado
“Alto!
Seja o que for, desde que não tenha de me conhecer a mim mesmo.”

E há um barco que se quer amarrar à terra – insiste mesmo
aqui –
de facto insistirá ainda milhares de vezes.

Da escuridão dos bosques surge um longo arpão,
irrompe pela janela aberta
entre os convidados que aquecem dançando.

3
O apartamento onde vivi metade da minha vida tem de ficar vazio. Já não tem nada. A âncora tem
de subir – apesar do peso da tristeza, é o apartamento mais leve de toda a cidade. A verdade não
precisa de nenhuma mobília. A minha vida fechou agora um grande círculo e voltou ao ponto de
partida: uma sala vazia. Coisas que nela vivi tornam-se visíveis nas paredes iguais a pinturas
egípcias, murais duma câmara funerária. Imagens esbatendo-se devido a uma luz excessiva. As
janelas mais largas. O apartamento vazio é um grande telescópio apontado ao céu. É silencioso
como um ritual Quaker. Tudo o que podes escutar são as pombas nas traseiras, o arrulhar delas.

Solidão

I
Aqui, estive a ponto de morrer numa noite de Fevereiro.
O carro patinou no gelo, derrapou de lado e seguiu
na faixa contrária. Os carros aproximando-se –
os seus faróis – cada vez mais perto.

O meu nome, as minhas filhas, o meu emprego
desprenderam-se e ficaram para trás em silêncio
cada vez mais para trás. Eu estava anónimo,
como uma criança num pátio de colégio cercada de inimigos.

Era poderosa a luz do tráfego aproximando-se.
Iluminava-me à medida que girava e girava
o volante num medo transparente agitado como clara de ovo.
Os segundos dilatavam-se – ocupando mais espaço –
engrandeciam como edifícios de hospital. 

Podia-se quase ficar à vontade
e um tudo nada descontraído
antes do choque se dar.

Então surgiu terra firme: veio em socorro um grão de areia
ou uma rajada súbita de vento. O carro agarrou-se
derrapou, atravessou a estrada.
Elevou-se um poste e quebrou-se – um som vibrante
juntou-se à escuridão.

Até que chegou o silêncio. Sentado e seguro pelo cinto
vi alguém caminhar no turbilhão da neve
para ver o que restava de mim.

II
A caminhar durante horas
pelos campos gelados da Suécia
não consegui ver ninguém.

Noutras partes do mundo
pessoas nascem, vivem e morrem
em perpétua multidão.

Ser constantemente visível – viver
num enxame de olhos –
deixa marcas no rosto.
Sulcos revestidos de pó.

O murmúrio que sobe e desce
enquanto dividem entre si
o céu, as sombras, os grãos de areia. 

Tenho de estar a sós
dez minutos pela manhã
dez minutos pela tarde.
- Sem fazer nada.
Todos fazem fila à porta de todos.
Muitos.
Um.
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